Novo álbum de Filipe Sambado é edificado entre o tradicional e o moderno

‘Revezo’ é um trabalho de desconstrução e edificação pop à moda antiga.

03 de fevereiro de 2020 às 15:00
Filipe Sambado Foto: Direitos Reservados
Filipe Sambado lança novo álbum 'Revezo' Foto: Direitos Reservados

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Não é alternativo nem substituto. É efetivo e verdadeiro. Não veio para render nada, veio para ficar, por si só. O novo disco de Filipe Sambado, ‘Revezo’, é um trabalho de desconstrução e edificação pop à moda antiga, recheado de canções abastadas e opulentas, ricas e suculentas.

‘Revezo’ é tão bom que pode chegar a ser um fardo para quem não gosta deste lado mais exuberante (por vezes quase excêntrico) da pop. A rotina pode ser uma joia e Filipe Sambado faz da música e da escrita de canções a pedra de toque do seu quotidiano.

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Depois da estreia discográfica com ‘Vida Salgada’ (2016) e do álbum ‘Filipe Sambado & Os Acompanhantes de Luxo’ (2018), o músico regressa ao seu maravilhoso mundo da quieta inquietação e da agitada preguiça, desta vez ainda mais desassossegado. Fazer canções que possam funcionar como objetos artísticos de contemplação não é algo que esteja ao alcance de todos, mas Filipe fá-lo, ainda por cima criando uma série de pontos de fuga nos horizontes que vai idealizando. Ele semeia, nós colhemos.

‘Revezo’ traz novas agitações que se traduzem numa maior portugalidade. Entre a pop moderna e as batidas contemporâneas escutam-se sonoridades tradicionais e identificam-se raízes, sem que nada pareça estranho. O tema de abertura, ‘Tusa Mole’, carrega consigo o que poderia muito bem ser um novo cante alentejano, ‘É Tão Bom’ faz soar flautas bucólicas, ‘Paçoquinha para Novela’ soa a cancioneiro popular e ‘Mais Uma’, ‘Bitola’ ou ‘Gerbera Amarela do Sul’ são edificadas em texturas folclóricas. Esta última é mesmo a canção que o músico irá levar ao Festival da Canção deste ano.

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Composto por dez temas, ‘Revezo’ é um trabalho de reinvenção, de recriação, feito por quem procura sem querer achar, feito por quem encontra consolo sem se querer acomodar. Diz ele que tem "amor para dividir". A nós resta-nos estarmos disponíveis para o receber. Ele faz o resto.

‘Revezo’ foi apresentado na passada sexta-feira no Texas Bar, em Leiria. Sábado passou pelo Centro de Artes de Águeda e dia 14 no Hard Club, no Porto.

IMPERDÍVEIS

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Halsey - ‘Manic’

Terceiro álbum de Halsey, ‘Manic’ é um disco mais pessoal da cantora norte-americana de nome verdadeiro Ashley Nicolette Frangipane, ou não versasse ele sobre as suas relações.

Formatos: Download digital; Streaming; CD; LP (vinil)

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Inês Duarte - ‘Ser’

Com influências de jazz e tango argentino, a fadista volta aos discos num álbum com letra e músicas originais de Tiago Torres da Silva, Paulo Ribeiro, Valter Rolo e um poema de Alexandre O’Neil. À venda dia 7.

Formatos: Download digital; CD

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Pet Shop Boys - ‘Hotspot’

Este é o 14.º álbum de estúdio daqueles que são considerados os magos da pop britânica. ‘Hotspot’ é, em concreto, o capítulo final da trilogia iniciada com ‘Electric’, em 2013, e ‘Super’ em 2016.

Formatos: Download digital; CD

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