Países Não Alinhados querem mais poder na ONU

Presidente da Venezuela defende mesmo a "refundação" do organismo.

18 de setembro de 2016 às 06:31
ONU, Movimento dos Não Alinhados, Presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, Nações Unidas, Assembleia Geral da ONU, Conselho de Segurança, política, diplomacia, organizações internacionais Foto: Reuters
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A reforma da ONU, para ser mais democrática e onde os países não alinhados tenham mais poder, foi um dos temas dominantes nos debates e intervenções de sábado da cimeira do Movimento dos Não Alinhados (MNA), na Venezuela.

O Presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, defendeu mesmo a "refundação" da ONU.

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"Tem-se falado de reforma, nós preferimos falar de refundação, de uma nova fundação do sistema das Nações Unidas", disse Maduro, depois de abrir os trabalhos da cimeira e de receber formalmente a presidência rotativa do MNA, um bloco de países que representam dois terços da Assembleia Geral da ONU.

Maduro defendeu a ampliação do Conselho de Segurança, a democratização dos sistemas de governo da ONU e a forma como são tomadas as decisões pela organização.

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Boa parte dos 14 chefes de Estado e de Governo presentes na cimeira, assim como os restantes representantes de um total de 104 países, insistiram na necessidade de reformar as Nações Unidas e defenderam que deve ser aproveitada, para esse objetivo, a dimensão do MNA, que deve atuar em bloco.

O Presidente do Irão, Hasan Rohani, disse que os não alinhados precisam hoje, "mais do que nunca", de ser solidários, alertando que "a paz no mundo inteiro está em risco".

Rohani afirmou que "a tendência para a polarização militar atual está a superar as corridas ao armamento do passado", com "a proliferação de guerras, disputas e a ingerência em assuntos internos das nações por parte de países que têm poder e riqueza".

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O Presidente iraniano atribui à "grave irresponsabilidade das grandes potências" a situação na Síria, Iraque ou Líbia.

Rohani considerou que o MNA "tem boa capacidade para fazer avançar as ideias de diálogo, paz, segurança e o princípio do não intervencionismo" no quadro das Nações Unidas.

Também o Presidente cubano, Raúl Castro, apelou à união dos não alinhados como "única alternativa perante os enormes perigos e desafios" que enfrentam, sublinhando que "não pode subestimar-se" a "enorme força" destes países quando agem em conjunto.

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Castro afirmou que Cuba não renunciará "a um único dos seus princípios" para normalizar as relações com os Estados Unidos, algo que disse que nunca acontecerá se Washington não levantar o embargo e devolver a Havana o território onde está instalada a prisão de Guantánamo.

Já o equatoriano Rafael Correa defendeu que seja proposta à ONU a criação de um instrumentos de luta contra os paraísos fiscais e a fuga de capitais, realçando que é uma luta que não pode ser feita "isoladamente".

O bolivariano Evo Morales criticou, por seu lado, os Estados Unidos por manterem a Bolívia e a Venezuela na lista dos países que não cumpriram os compromissos assumidos na luta contra o tráfico e a produção de drogas nos últimos 12 meses.

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Já o salvadorenho Salvador Sãnchez Cerén pediu aos países do MNA para adotarem medidas "imediatas e concretas" para responder a desafios como as ameaças à paz e segurança, as alterações climáticas ou as migrações.

A defesa da causa palestiniana foi outra questão presente em quase todas as intervenções de sábado na cimeira.

O presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, agradeceu essas manifestações e denunciou a "persistência da colonização israelita", que provocou, assegurou, seis milhões de refugiados palestinianos em quase setenta anos.

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A XVII cimeira do Movimento dos Não Alinhados, que junta 120 países, começou no sábado e termina este domingo.

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