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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Agente da PSP nega comércio ilegal de armas

Celestino Soares, antigo chefe da Divisão de Armas e Explosivos da PSP, desmentiu esta terça-feira qualquer envolvimento no processo “Armas/PSP” e alegou ser alvo de uma “cabala”.

08 de janeiro de 2008 às 21:05

No Tribunal Boa-Hora, começaram a ser julgados 28 arguidos, dos quais 16 funcionários da PSP, num processo relacionado com posse e comércio ilegal de armamento.

Celestino Soares afirmou que algumas pessoas lhe “fizeram a cama”, por terem “inveja” da sua participação numa comissão que discutiu em Bruxelas as novas directivas sobre armas.

O antigo responsável apontou o dedo à Direcção Nacional da PSP, alegando que se limitava a elaborar pareceres “que depois eram despachados pelo director nacional”. “Não tenho qualquer responsabilidade sobre a transferência definitiva de armas (para os armeiros)”, disse.

Celestino Soares, acusado de dois crimes de corrupção passiva, afirmou que “a PSP deveria ter fiscalizado as armas quando chegaram aos armeiros e não o fez”.

O arguido, que chegou a estar preso, negou ter vendido peças de armas da sua Divisão ou ter recebido 2 500 euros do agente Henrique Martinho (principal arguido). “Nunca na PSP recebi um tostão seja de quem for. Ganho mais como reformado das Forças Armadas do que ganho na Polícia. Tenho uma vida equilibrada, podem verificar as minhas contas bancárias”, garantiu.

Quanto às apreensões efectuadas na sua residência - revólver, caneta de gás pimenta, material pirotécnico – Celestino confirmou-as, mas explicou que nenhum desse material é considerado ilegal.

Quando o Ministério Público, por volta das 16h15, tentou questionar o arguido, este recusou-se a responder, alegando “estar cansado”.

Dois outros arguidos do processo e agentes da PSP, Fernando Tavares, acusado de corrupção activa, e Manuel Marques, negaram também todos os factos que lhe eram imputados.

O caso remonta a Março de 2006, quando uma operação policial em vários distritos do país culminou na detenção de 29 pessoas e na apreensão de várias centenas de armas e munições.

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