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Correio da Manhã

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Nova candidata à ONU só em outubro

António Guterres continua a ser o candidato preferido para o cargo.
13 de Setembro de 2016 às 12:36
A búlgara Kristalina Georgieva e o português António Guterres
A búlgara Kristalina Georgieva e o português António Guterres FOTO: Reuters

A búlgara Kristalina Georgieva, vice-presidente da Comissão Europeia, estava no centro de uma polémica que envolvia Alemanha e Rússia e era dada como a próxima candidata a entrar na corrida ao cargo de secretário-geral da ONU. A imprensa búlgara garantia que a sua candidatura seria apresentada nos próximos dias, mas tal poderá, afinal, não acontecer tão cedo.

A candidata seria uma escolha da Alemanha e da sua chanceler, Angela Merkel, que terá procurado apoio para Georgieva durante a última cimeira do G20, noticiaram meios de comunicação búlgaros. No entanto, o jornal Expresso avança que só depois das próximas votações, marcadas para 26 de setembro, a búlgara decidirá se é candidata ou não. 

Tudo porque Georgieva não quer avançar sem ter o apoio oficial do seu país, facto que está dependente do resultado obtido pela atual candidata, Irina Bokova. Bokova, diretora-geral da UNESCO, é a candidata oficial da Bulgária e tem sido a mulher mais bem posicionada nas primeiras quatro votações informais no Conselho de Segurança da ONU e que tem o apoio do Kremlin. 

Apesar de ainda não ser oficial, a eventual candidatura de Georgieva já causou atritos internacionais. Uma porta-voz do Ministério dos Negócios estrangeiros russo criticou a alegada promoção da candidatura de Kristalina Georgieva pela Alemanha referindo que o Presidente russo, Vladimir Putin, disse a Angela Merkel que "a nomeação de um candidato para o cargo de secretário-geral da ONU é um decisão soberana de um pais e qualquer tentativa de influenciar essa decisão direta ou indiretamente é inaceitável".

O ex-primeiro ministro português António Guterres venceu as primeiras quatro votações informais para o cargo, que aconteceram em 21 de julho, 05 de agosto, 29 de agosto e 09 de setembro.

Nenhuma regra impede um país de nomear dois candidatos, mas é algo que nunca aconteceu.

Nada impede um candidato de ser nomeado por um país que não o seu, embora isso também nunca tenha acontecido, e foi avançado que o nome de Georgieva poderia ser proposto pela Hungria, Croácia e Letónia, com o apoio da Alemanha.

O chefe de gabinete do presidente da Comissão Europeia, Martin Selmayr, partilhou no Twitter uma notícia que dava conta da nomeação de Georgieva e escreveu que "seria uma grande perda" para a União Europeia, mas que a búlgara "seria uma forte secretária-geral da ONU, faria muitos europeus orgulhosos" e seria um "sinal forte" para a igualdade de género.

A ONU já realizou apresentações, entrevistas e debates com todos os 12 candidatos ao cargo, o que permitiu um nível de envolvimento público sem precedentes.

Embora permitida pelos estatutos da organização, que permanecem inalterados, uma nomeação tão tardia seria um retrocesso nesta tentativa de tornar o processo mais transparente.

Duas novas votações estão agendadas: uma semelhante às primeiras quatro, que acontece a 26 de setembro, e uma na primeira semana de outubro, em que os votos dos membros permanentes do conselho, que têm poder de veto sobre os candidatos, serão destacados.

A organização espera ter encontrado o sucessor de Ban Ki-moon, que termina o seu segundo mandato no final do ano, durante o outono.

Christiana Figueres desiste da corrida

A costa-riquenha Christiana Figueres anunciou na segunda-feira a retirada da sua candidatura à secretaria-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), dois meses depois de se ter apresentado como candidata ao cargo.

O surpreendente anúncio foi feito por Figueres durante uma conferência de imprensa conjunta com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Costa Rica, Manuel González, ao mesmo tempo que divulgava uma carta que enviou à organização a dar conta da sua decisão.

Figueres assegurou que se retirou da contenda para "facilitar o processo complexo" de decisão na ONU, agradecendo o apoio do seu país, da sociedade civil, do setor privado e de outros Estados-membros da ONU.

A costa-riquenha expressou o desejo de que seja escolhido "um líder que possa fortalecer a confiança das pessoas na ONU e na sua missão, dirigida aos desafios profundamente interligados da paz, prevenção de conflitos, direitos humanos, migrações, alterações climáticas, recursos naturais e desenvolvimento".

Figueres reconheceu que na sua decisão influiu o pouco apoio que recebeu no processo em curso na ONU, consistente numa série de rondas de votação, que têm sido vencidas sucessivamente por António Guterres.

O governo da Costa Rica apresentou a candidatura de Figueres em 07 de julho, durante uma sessão oficial em que o Presidente do país, Luis Guillermo Solís, destacou as suas qualidades para assumir o cargo.

Christiana Figueres foi nos últimos seis anos a secretária executiva da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, responsável pelas negociações para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa.

Foi sob a sua direção que em dezembro último foi alcançado em Paris um acordo global contra as alterações climáticas.

Christiana Figueres é filha do já falecido José Figueres Ferrer, que foi três vezes Presidente da Costa Rica, depois de ter liderado a revolução armada de 1948 e de, neste mesmo ano, ter abolido o exército do país centro-americano.

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