Política quer criar "solução permanente, sustentável e flexível" para resolver problema no setor da construção.
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Uma deputada provincial luso-canadiana do Ontário escreveu ao ministro da Imigração do Canadá para que tome medidas para "legalizar os trabalhadores indocumentados", apontando como exemplo uma amnistia com 30 anos.
"Em 1986 o Governo Federal tomou algumas medidas para regularizar o estado dos trabalhadores indocumentados. Está na hora do Governo Federal tomar medidas para abordar a questão dos trabalhadores indocumentados mediante a regularização do seu estado, dando-lhes a opção de obterem a residência permanente", afirmou Cristina Martins.
Na carta a que a agência Lusa teve acesso, a deputada provincial eleita pelo distrito da Davenport, em Toronto, justificou que essas ações de legalização "abordariam em particular o setor da construção que está a envelhecer a uma taxa que não é sustentável através das atuais condições do mercado de trabalho".
Segundo o documento, no contexto canadiano, a maioria dos trabalhadores indocumentados estão localizados na Grande Área de Toronto (GTA), entre 200 mil a 500 mil pessoas, laborando principalmente nas áreas da construção e da hotelaria.
Os atuais programas "não correspondem às necessidades dos empregadores" e os critérios necessários para os trabalhadores qualificados são "desnecessários para trabalhadores qualificados que podem rapidamente corresponder as necessidades desses empregadores".
A carta dirigida ao ministro Ahmed Hussen visa "tentar resolver os problemas dos trabalhadores indocumentados" e Cristina Martins dá como exemplo a análise da Indústria da Construção do Canadá, que admite a necessidade, até 2020, de 320 mil trabalhadores qualificados.
"Metade dos 320 mil trabalhadores necessários serão estrangeiros com formação. Isto quer dizer que o Governo Federal não conseguirá fornecer os requisitos para o setor da indústria baseados nos programas existentes", sublinha.
Os recentes anúncios de investimento no trânsito e na Estratégia Nacional de Habitação "só serão concretizados com trabalhadores qualificados".
Cristina Martins revela ainda estar surpreendida com Otava, na sequência de uma reunião que teve com Laura Albanese, a ministra da Imigração do Ontário.
"A comunidade portuguesa, da qual pertenço, e a comunidade hispânica, são bastante afetadas pela falta de conhecimento contínuo do governo federal. Fiquei surpreendida que o Governo de Otava não apoie um plano do Ontário resolver a situação dos trabalhadores indocumentados para também responder à falta de trabalhadores qualificados", declarou.
Mas a luso-canadiana mostrou-se ainda "mais irritada e surpreendida" com aquilo que denomina de "velho e cansativo argumento" de que abordar a questão dos trabalhadores indocumentados, garantindo-lhes a sua legalização, "vai criar um maior incentivo à imigração ilegal".
"Com esta vista curta deste problema, o que é que Governo Federal está disposto a oferecer à comunidade da Davenport?" - questiona.
No último de doze parágrafos, Cristina Martins escreve que "o Canadá não pode beneficiar indefinidamente dos trabalhadores indocumentados sem facultar a estes trabalhadores um estatuto legal que lhes permita a dignidade e os benefícios a que todos têm direito".
A deputada eleita pela Davenport, pediu ainda a Ahmed Hussen que trabalhe com a ministra Laura Albanese para que em conjunto possam criar uma "solução permanente, sustentável e flexível", para resolver "a questão da falta de trabalhadores especialmente no setor da construção".
A carta, com a data de 28 de dezembro de 2017, foi enviada com o conhecimento da ministra do Ontário da Cidadania e da Imigração, Laura Albanese, e da deputada federal da Davenport, Julie Dzerowicz.
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