Morte do 'rapper' de nacionalidade portuguesa e cabo-verdiana tem estado envolvida em polémica.
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O diretor do Museu Nacional da Resistência luxemburguês criticou o partido nacionalista ADR, por ter questionado no parlamento a escolha daquele local para homenagear o falecido 'rapper' luso-cabo-verdiano 'Puto G', considerando que as reações negativas têm "motivos puramente racistas".
Numa carta aberta publicada em vários jornais luxemburgueses, o responsável do museu situado em Esch-sur-Alzette, Frank Schroeder, considerou natural que os amigos e fãs de José Carlos Cardoso, com o pseudónimo 'Puto G', tenham escolhido o monumento situado em frente ao museu, dedicado aos mortos na segunda guerra mundial, para uma homenagem em 04 de julho, quatro dias depois de o músico ter morrido no lago de Remerschen, no sul do Luxemburgo.
Nessa altura, centenas de pessoas colocaram flores e velas no local, sobretudo "jovens que fizeram esta peregrinação para mostrar a sua dor e luto", numa manifestação espontânea que não passou por um "pedido oficial à autarquia", o que levou o deputado Fernand Kartheiser, do partido nacionalista ADR, a questionar o primeiro-ministro luxemburguês.
Na questão parlamentar apresentada em 11 de julho, o deputado considerou que a homenagem ao 'rapper' luso-cabo-verdiano "desfigurou gravemente" o local e questionou o Governo sobre se pretende "implementar regras que visem o respeito pelos monumentos".
Em resposta de 29 de agosto, o primeiro-ministro Xavier Bettel disse apenas que a proteção dos monumentos cabe às autarquias em que se situam.
Numa carta aberta dirigida ao deputado do partido nacionalista, a que a Lusa teve hoje acesso, o diretor do museu em causa considerou legítima a escolha do monumento, situado numa praça central, num bairro popular, e denunciou ainda outras reações negativas para além da questão parlamentar.
"Será que uma manifestação semelhante em honra de um artista 'luxemburguês' teria suscitado as mesmas reações? Alguns falaram de desrespeito em relação à nossa cultura... Neste caso, o 'problema' parece resumir-se à origem maioritariamente cabo-verdiana e portuguesa das pessoas enlutadas, ou seja, a motivos puramente racistas", criticou o diretor do museu.
Esta não é a única questão parlamentar suscitada pela morte do 'rapper' de nacionalidade portuguesa e cabo-verdiana, que tem estado envolvida em polémica.
A 20 de agosto, o Partido Socialista do Luxemburgo (LSAP) questionou o Governo sobre o facto de o socorro ter sido acionado "uma hora depois do alerta" e sobre a falta de vigilância no lago de Remerschen, onde morreu afogado o 'rapper', em 30 de junho, e um mês depois também um cidadão búlgaro de 53 anos.
A questão parlamentar, que continua sem resposta do Governo, cita uma investigação do semanário Contacto, jornal português no Luxemburgo, apontando que os amigos do músico terão pedido ajuda aos funcionários do lago gerido pela autarquia de Schengen, com entrada paga, mas que estes terão recusado, questionando que o músico se tivesse realmente afogado e levantando a hipótese de que estivesse "a fumar um charro", caso em que "chamar uma ambulância lhes saíria muito caro".
Os deputados socialistas pretendem também resposta do Governo luxemburguês para o facto de nenhum "membro do pessoal empregado pela autarquia de Schengen para a vigilância do lago de Remerschen dispor de qualquer qualificação de nadador-salvador", tal como o jornal revelou.
Outra questão a merecer resposta no entendimento dos dois deputados tem a ver com a possibilidade de as "algas infestarem a tal ponto o lago de Remerschen que é perigoso alguém banhar-se em determinadas partes".
A reportagem do semanário português Contacto, publicada em 16 de agosto, também levou a Procuradoria do Luxemburgo a abrir inquérito para investigar se houve crime de omissão de auxílio, punido com pena de oito dias a cinco anos de prisão no Código Penal luxemburguês.
O jornal denunciou ainda o facto de a hora do alerta ter sido considerada "confidencial" pela proteção civil luxemburguesa e de não ter sido realizada autópsia, ao contrário do que aconteceu um mês depois com o cidadão búlgaro que se afogou no mesmo local.
A Procuradoria do Luxemburgo considerou que a morte do 'rapper' "foi acidental" e negou que estivesse relacionada com as plantas aquáticas "Elodea Canadensis" que infestam o lago e que podem constituir um risco de afogamento, recusando no entanto divulgar as análises de sangue efetuadas ao músico.
'Puto G' tinha 27 anos quando morreu afogado, no lago de Remerschen, em 30 de junho, onde se encontrava na companhia de amigos, que deram o alerta após o desaparecimento do jovem, minutos depois de este ter entrado a água, segundo o Contacto.
O jornal, citando fonte policial, noticiou que o corpo foi encontrado às 18:50 locais (menos uma hora em Lisboa), cerca de três horas depois de se ter constatado o desaparecimento.
O corpo foi trasladado para Lisboa e, em 05 de julho, realizou-se o funeral, na Amadora, local onde cresceu e viveu o jovem emigrante em Athus, na Bélgica, na fronteira com o Luxemburgo.
'Puto G' integrou o elenco do filme "A esperança está onde menos se espera", de Joaquim Leitão, de 2009, rodado na Cova da Moura, arredores de Lisboa, e voltou a trabalhar com o mesmo realizador em "Quarta Divisão", de 2013, e "Sei lá", de 2014, tendo integrado também o elenco de "Por aqui tudo bem", de Pocas Pascoal.
Um mês depois de 'Puto G' ter morrido, um cidadão búlgaro, de 53 anos, morreu afogado no mesmo lago, propriedade da autarquia de Schengen, que defende que tem cartazes a alertar que o local não é vigiado e que os visitantes nadam "por sua conta e risco", apesar de cobrar quatro euros de entrada.
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