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Ex-ministro Dirceu condenado a 23 anos de prisão

Antigo ministro de Lula já cumpria pena por corrupção.

18 de maio de 2016 às 15:25

O ex-ministro da Casa Civil no primeiro governo de Lula da Silva, José Dirceu, foi condenado nesta quarta-feira a 23 anos e três meses de prisão por envolvimento no mega-esquema de corrupção descoberto em 2014 na Petrobrás. A sentença foi proferida pelo juíz Sérgio Moro, de Curitiba, que comanda a Operação Lava Jato, que há dois anos apura o desvio de mais de 10 mil milhões de euros daquela petrolífera.

Esta é a primeira condenação de José Dirceu no âmbito da Operação Lava Jato - da Polícia Federal (PF) e que investiga um grande esquema de corrupção, envolvendo a Petrobras, políticos e empresários, entre outros -, mas o arguido ainda pode recorrer.

Dirceu, que de 2003 a 2005 era tão poderoso no Brasil que a imprensa e políticos o chamavam de "czar", pois, mais do que o então ainda inexperiente Lula era ele quem tomava as grandes decisões, foi condenado por corrupção passiva, recebimento de vantagem ilícita e branqueamento de capitais.

O ex-ministro da Casa Civil de Lula está preso numa cadeia na Grande Curitiba, sul do Brasil, depois de ter sido detido pela Polícia Federal em casa, em Brasília, em Agosto do ano passado, quando já cumpria prisão domiciliária por envolvimento num outro escândalo de corrupção, o "Mensalão", descoberto em Junho de 2005.

Na sua sentença, Moro ressaltou a reincidência sucessiva de Dirceu na prática de crimes, inclusive enquanto era julgado pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento no "Mensalão". "O mais perturbador consiste no facto de que recebeu propina [subornos] inclusive quando estava sendo julgado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, havendo registos de recebimentos pelo menos até 13/112013. Nem o julgamento condenatório pela mais alta corte do país representou fator inibidor da reiteração criminosa, embora em outro esquema ilícito", disse o magistrado, citado pela Folha

Condenado em 2012 a sete anos de prisão por esse crime, começou a cumprir a pena em 2013, depois de negados todos os recursos, mas, segundo as investigações levadas a cabo pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, tanto enquanto esteve numa cela da Penitenciária da Papuda, em Brasília, onde cumpriu parte da pena, quer quando passou para prisão domiciliária, Dirceu manteve actividades criminosas, desta feita ligadas aos desvios na Petrobrás, e recebeu nesse periodo aproximadamente 10 milhões de euros do esquema.

O "Mensalão", denunciado em 2005 pelo então deputado Roberto Jefferson, aliado de Lula e que participava no esquema mas decidiu revelá-lo ao perceber que o partido do então presidente, o Partido dos Trabalhadores, principal envolvido e beneficiário, se preparava para o usar como bode expiatório da fraude, consistia no desvio de milhões de empresas públicas, principalmente os Correios, para pagar a fidelidade de parlamentares ao governo com generosas mesadas.A "Lava Jato", ou "Petrolão", descoberta há dois anos e que começou em 2006, menos de um ano após o escândalo anterior ter sido denunciado, não era muito diferente, pois consistia no desvio de montantes astronómicos da Petrobrás para enriquecer empresários e políticos, na sua maioria ligados mais uma vez ao governo e ao Partido dos Trabalhadores, e financiar campanhas partidárias, nomeadamente a da reeleição de Dilma Rousseff em 2014. (FIM).

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