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Flávio Bolsonaro partiu ao amanhecer desta segunda-feira para os Estados Unidos, mas sem ter certeza se o presidente norte-americano vai aceitar o encontro.
O senador Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro e segundo colocado na corrida para as presidenciais brasileiras de Outubro, viajou esta segunda-feira para Washington para tentar um encontro e uma foto com o presidente dos EUA, Donald Trump, que possa alavancar, e até salvar, a suas pretensões presidenciais. A viagem dividiu as opiniões até de aliados de Flávio, pelos riscos que encerra de poder dar tudo errado.
A ideia é conseguir um encontro pessoal no meio da ultra cheia agenda de Trump, fazer uma fotografia com o americano mostrando proximidade e cordialidade e, o que seria ainda melhor, tentar que o presidente dos EUA faça alguma declaração apoiando a sua candidatura. O senador partiu para os EUA ao amanhecer desta segunda-feira esperançoso no sucesso da missão, mas sem ter na prática nem a certeza se Trump vai aceitar o encontro, que está a ser articulado pelo irmão do senador, Eduardo Bolsonaro, e pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
Se conseguir o encontro, a foto e algo mais, Flávio vai usar isso para mostrar que, mesmo Trump tendo recebido recentemente Lula da Silva por mais de três horas em clima de grande harmonia, a relação entre o presidente dos EUA e o do Brasil é meramente diplomacia, negócios entre estados. Flávio quer mostrar na sua campanha que é ele quem tem afinidade ideológica com Donald Trump e que é ele quem o americano gostaria que fosse o próximo presidente do Brasil.
A viagem foi decidida às pressas após vazamentos de mensagens terem mostrado uma grande proximidade de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso em Março acusado de comandar a maior fraude já descoberta no sistema financeiro brasileiro e que o presidenciável até aí dizia nem conhecer. Em consequência dessa fuga de mensagens e da forma atabalhoada com que Flávio reagiu, ele, que até aí estava empatado com Lula no primeiro lugar da corrida presidencial, caiu entre quatro e seis pontos nas sondagens, a depender do instituto que as realizou.
Aconselhado por parte da sua equipa, Flávio avaliou que a viagem e o possível encontro com Trump poderiam mostrar prestígio internacional, ainda mais junto ao presidente do mais poderoso e rico país do mundo, e ajudá-lo a recuperar os abalos à sua imagem. Mas a outra parte dos seus assessores e aliados criticaram a iniciativa, pois sempre há o risco de o encontro não acontecer, o que seria, aí sim, um grande revés para Flávio.
Esses críticos também alertaram que, mesmo que tudo corra conforme os desejos do filho de Jair Bolsonaro, os resultados positivos da ida a Washington são extremamente duvidosos, num momento em que Trump tem a sua imagem tão negativada no mundo. E após ele ter realizado uma ação militar na Venezuela para raptar o presidente do país, Nicolás Maduro, e ameaçar invadir Cuba a qualquer momento, o que o transformou em persona non grata em toda a América Latina. (
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