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Quase cinco dezenas de militares da GNR chegaram na madrugada desta quinta-feira ao Aeroporto de Figo Maduro, em Lisboa, após cinco meses de missão no Iraque. Na emoção da chegada, um sentimento ecoava na voz dos soldados: “Regressámos todos”... mas ninguém quer repetir.
Eram cerca das quatro horas desta madrugada quando aterrou em Lisboa o Hércules C-130 que trouxe do Iraque 48 militares do primeiro contingente da GNR em missão no Sul do Iraque. No passado dia 5, o mesmo avião transportou para Nassíria 41 militares da ‘Guarda’ que foram render os homens que hoje chegaram a Lisboa. Em solo iraquiano permanecem pouco mais de uma centena de militares da GNR, com missão prevista até Junho.
Os 48 militares que hoje regressaram a Lisboa foram recebidos, em festa, pelos respectivos familiares, com cachecóis, champanhe e até uma grande bandeira de Portugal. A emoção transbordou na pequena sala de embarque e desembarque em Figo Maduro, onde um repórter da Rádio TSF questionou os militares sobre a missão e descobriu que a maioria não pensa voltar.
Isso mesmo foi confirmado pela soldado Magalhães, que começou por não querer pronunciar-se, mas acabou por responder um ‘redondo’ “não” à pergunta “pensa voltar”. Pedro Luís deu resposta idêntica, explicando que este é “um tipo de missão demasiado exigente”. O militar esclareceu que a missão se torna “pesada” não por falta de preparação, mas pelo ambiente tenso no terreno e por uma certa claustrofobia que se instala em homens demasiado isolados. Para Alexandre Tábuas, a missão foi, sobretudo, uma grande lição, no sentido de tomar contacto com a “desgraça que se passa no Mundo.”
‘SANTINHOS’ E OLHOS BEM ABERTOS
A chegada estava prevista para as 04h00, mas três horas antes a sala de espera do aeroporto de Figo de Maduro, em Lisboa, já começava a ser demasiado pequena. As crianças distraíam-se com os livros de colorir distribuídos pela GNR e os mais velhos aguardavam ansiosos a chegada de 48 militares do Subagrupamento Alfa, que nos últimos seis meses estiveram em missão no Iraque.
“A ida do meu filho para o Iraque tirou-me anos de vida”, contou Fátima Lisboa. A mãe do soldado Lisboa, de 27 anos, lembrou que antes da missão a família foi ao Santuário de Fátima “para abençoar medalhas e ‘santinhos’ da Nossa Senhora”. Mas nem todos levaram consigo simbolismos como estes. Para alguns militares, rezar não é a solução. É sim, como disse João Moutinho ao CM, “estar de olhos bem abertos” e “confiar em nós e nos nossos camaradas”.
Para o soldado, que mal chegou se dirigiu ao bar para beber uma cerveja, o melhor que trouxe da sua missão foi a “amizade e a experiência profissional”. Contudo, recorda, ainda há muito a fazer num país em que, a qualquer momento, “pode rebentar uma guerra civil, porque todos têm armas”. O militar confessa que esteve em cenários piores do que os dos filmes. “Ali sente-se o cheiro dos esgotos abertos, as crianças andam descalças com temperaturas negativas e brigam por uma garrafa de água”.
Lágrimas, sorrisos, gritos e palmas. Ontem, o ambiente era de emoção na sala de espera do aeroporto de Figo Maduro. Os familiares dos militares da GNR ergueram uma bandeira gigante de Portugal e receberam os seus ‘heróis’ com muitos abraços e emoção. Um militar chorava ao conhecer a sua bebé, nascida enquanto esteve fora.
A Inês, de dez anos, gritava pelo seu pai, o soldado Rui Paulo. Antes, tinha garantido ao CM que nunca mais ia deixar o pai sair para missões no estrangeiro. Uma família inteira esperava o cabo Abílio Ribeiro, de 46 anos. A sua mulher contava
que o que lhe custou mais foram o primeiro e o último mês. Os balões que horas antes tinham sido a brincadeira de algumas crianças rebentaram. E, para rematar, ouvia-se: “Correu tudo bem”.
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