De acordo com o responsável, a comissão consultiva do INEM deve integrar os prestadores de socorro no terreno, como os bombeiros e a Cruz Vermelha.
O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) defendeu esta quarta-feira a criação de uma comissão consultiva no INEM, alertando que falhas nas viaturas médicas de emergência e reanimação (VMER) e de ambulâncias no interior colocam vidas em risco.
"O INEM deveria ter uma comissão consultiva onde os prestadores de serviço que estão no terreno possam participar", afirmou António Nunes, na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) para apurar responsabilidades durante a greve no final de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.
De acordo com o responsável, a comissão consultiva do INEM deve integrar os prestadores de socorro no terreno, como os bombeiros e a Cruz Vermelha, para garantir maior transparência, coordenação e capacidade de resposta no sistema de emergência médica.
"Quando se diz que uma VMER respondeu 95% do tempo, esquecem-se os 5% em que falhou. E nesses 5% morreram duas pessoas", exemplificou.
O presidente da LBP realçou que "há coisas que não podem falhar".
"Quando a VMER de Évora não está disponível, a mais próxima é Beja ou Portalegre. Não pode ser", lamentou.
António Nunes destacou que, ao contrário das grandes cidades, onde existe sobreposição de meios, o interior do país continua vulnerável.
"Se queremos um país mais coeso, temos de criar outras condições. Não é tudo igual", observou.
O dirigente lembrou ainda que os bombeiros do interior enfrentam maiores dificuldades financeiras.
"Têm menos receita, menos sócios, menos apoio das câmaras, que também têm menos recursos. E depois querem comparar isso com Lisboa, Porto ou Coimbra", sustentou.
O presidente da LBP alertou ainda para a necessidade de modernizar o sistema tecnológico do INEM, defendendo que todas as ambulâncias deveriam estar equipadas com tablets que permitam acesso imediato à informação clínica dos doentes, geolocalização dos meios e registo automático das operações.
Para António Nunes, a ausência de equipamentos uniformizados continua a comprometer a eficiência do socorro.
"A ambulância devia ter um iPad [tablet]. Com ele coloco o número do utente, tenho a história clínica, sei para onde o doente deve ir e tenho geolocalização da viatura. A informação fica registada e não desaparece", disse, sublinhando que a modernização permitiria reduzir erros e acelerar decisões críticas.
O dirigente recordou que há cerca de 1.800 ambulâncias e que o investimento necessário seria entre 10 e 15 milhões de euros.
"Algumas ambulâncias têm tablets, outras não. Algumas têm computador de bordo, outras não. Temos um sistema misto que dificulta o cumprimento dos diagramas de operação", lamentou.
António Nunes revelou ainda que a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS) chegou a anunciar a compra de 500 tablets para equipar ambulâncias, mas "um ano e meio depois, os tablets não apareceram".
Segundo o presidente da Liga, o INEM tem "algum atraso" nas áreas de tecnologia da informação, o que impede Portugal de operar um sistema integrado de emergência médica comparável ao de outros países europeus, alertando que não basta copiar modelos estrangeiros.
Composta por 24 deputados para apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação do INEM, a CPI foi aprovada em julho do ano passado por proposta da IL.
O foco inclui a atuação do INEM durante a greve do final de outubro e início de novembro de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.
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