Estes são os piores tumultos no país desde há décadas que já provocaram dois mortos e pelo menos três feridos.
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O presidente do Chile afirmou que o país está "em guerra" contra os "criminosos" responsáveis pelos protestos violentos que causaram vítimas mortais e que levaram o Governo a decretar o estado de emergência na capital.
"Estamos em guerra contra um inimigo poderoso e implacável que não respeita nada ou ninguém e que está disposto a usar a violência sem limites, mesmo quando isso significa a perda de vidas humanas, com o único objetivo de causar o máximo de dano possível", afirmou este domingo Sebastián Pinera.
O Presidente disse entender que os cidadãos se manifestem sobre aquilo que os preocupa, mas classificou de "verdadeiros criminosos" os responsáveis pelos incêndios, barricadas e pilhagens.
Confrontos no Chile na mais ampla revolta social das últimas décadas
Manifestantes e a polícia envolveram-se este domingo em novos confrontos em Santiago do Chile, no terceiro dia dos piores tumultos no país desde há décadas que já provocaram dois mortos e pelo menos três feridos.
Os contestatários, de cara coberta com capuzes, envolveram-se em violentos confrontos com polícias na praça Itália, centro da capital, referiu a agência noticiosa AFP. As forças da ordem responderam com gás lacrimogéneo e jatos de água.
"El pueblo unido jamás será vencido" (O povo unido jamais será vencido), gritaram os manifestantes, uma palavra de ordem utilizada no decurso do governo de Unidade Popular de Salvador Allende, e retomada após o golpe militar e a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).
Após três dias de violências, os centros da capital chilena e de outras grandes cidades, como Valparaíso e Concepción, registavam um cenário de desolação, incluindo autocarros incendiados, lojas destruídas e milhares de pedras pelas ruas.
Segundo um balanço das autoridades, foram detidas 716 pessoas em todo o país.
O cessar-fogo permanece em vigor em cinco regiões, incluindo a capital Santiago, e foram mobilizados mais de 10.000 polícias e militares, precisou o general Javier Iturriaga del Campo.
Na sexta-feira o Presidente Sebastián Piñera decretou o estado de emergência para 15 dias na capital, com sete milhões de habitantes.
Estes protestos, os mais amplos das últimas décadas, provocaram dois mortos e um ferido grave na noite de sábado para domingo num incêndio de um supermercado, em San Bernardo, uma zona sul da capital.
Segundo as autoridades, duas pessoas foram igualmente feridas por disparos e hospitalizadas em estado "grave" após um incidente com a polícia durante pilhagens, igualmente a sul da capital.
As manifestações decorrem desde sexta-feira em protesto contra um aumento (entre 800 e 830 pesos, cerca de 1,04 euros) do preço dos bilhetes de metro em Santiago, que possui a rede mais longa (140 quilómetros) e mais moderna da América do sul, e que transporta diariamente cerca de três milhões de passageiros.
No sábado, Piñera recuou e suspendeu o aumento. Mas as manifestações e os confrontos prosseguiram, também devido à degradação das condições sociais e às desigualdades neste país, onde a saúde e educação estão quase totalmente controlados pelo setor privado.
Dezenas de supermercados, veículos e estações de serviço foram saqueados ou incendiados. Os autocarros e as estações de metro registaram importantes danos. Segundo o Governo, 78 estações de metro registam estragos, e algumas foram totalmente destruídas.
Os prejuízos no metro foram avaliados em mais de 300 milhões de dólares (268 milhões de euros) e o regresso à normalidade em certos percursos deverá prolongar-se "por meses", considerou Louis de Grange, presidente da Companhia nacional de transportes públicos.
No aeroporto de Santiago foram cancelados ou reprogramados numerosos voos, também devido às dificuldades dos trabalhadores em garantir meios de transporte.
Os estudantes apelaram a novas manifestações na segunda-feira. Através de palavras de ordem como "Fim aos abusos" ou "O Chile levantou-se", difundidas nas redes sociais, o país enfrenta uma das piores crises sociais.
Piñera deverá reunir hoje os seus ministros e outros responsáveis para efetuar um balanço da situação. Anunciou ainda um diálogo "amplo e transversal" para tentar responder às reivindicações populares.
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