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PS insiste que há casas fechadas em Grâdola por usar independentemente do fim previsto

Antiga secretária de Estado das Infraestruturas e Habitação socialista insistiu que estas casas estão fechadas "e podiam dar resposta habitacional já a famílias".

04 de julho de 2026 às 19:00

O PS insistiu este sábado que existem casas fechadas por usar, nomeadamente em Grândola, independentemente de o seu fim ser para habitação permanente ou para vítimas de violência doméstica, rejeitando nuances de semântica.

"Nós estamos a brincar efetivamente com as palavras quando falamos de casas. Uma coisa é certa: há casas em Grândola que estão fechadas há meses e meses, há mais de um ano. E, portanto, seja para responder a vítimas de violência doméstica, seja para responder a famílias jovens e de uma forma mais permanente ou menos permanente, são casas que estão fechadas", argumentou a deputada do PS Marina Gonçalves.

Em declarações à agência Lusa, a deputada foi questionada sobre o facto de o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) ter apelado na sexta-feira a "maior rigor e responsabilidade" dos políticos, rejeitando as alegações do líder do PS, José Luís Carneiro, de eleitoralismo na gestão da entrega de habitações.

Numa nota de esclarecimento, o IHRU apontou que as afirmações do socialista contêm "imprecisões que não correspondem à realidade dos factos", sustentando que "contrariamente ao que tem sido afirmado", as dez moradias em causa, situadas no concelho de Grândola, "não se destinam à habitação permanente de famílias" mas sim a assegurar "respostas de alojamento de emergência e de transição a pessoas e agregados familiares que se encontrem em situações de especial vulnerabilidade", como vítimas de violência doméstica ou sem-abrigo. 

A antiga secretária de Estado das Infraestruturas e Habitação socialista insistiu que estas casas estão fechadas "e podiam dar resposta habitacional já a famílias".

"Andamos com a semântica a tentar dizer que o secretário-geral afinal não estava a falar de habitação permanente, mas estava a falar de habitação para vítimas de violência doméstica. Acho que verdadeiramente é desrespeitar quem por uma razão, ou outra, procura habitação e ali estão casas que estão fechadas", acrescentou. 

O secretário-geral PS, José Luis Carneiro, afirmou no encerramento das jornadas parlamentares do partido, na terça-feira, que o Governo tinha casas prontas a habitar mas não as entregava, sugerindo que o executivo estava à espera "de um novo ciclo eleitoral".

Um dia depois, deslocou-se a Azinheira dos Barros, no concelho de Grândola para demonstrar o que tinha dito e visitar algumas das 10 casas a que tinha feito referência, apontando que estão prontas há dois anos, foram financiadas com o PRR, numa decisão do governo do Partido Socialista, e aguardam pela sua função social".  

Estas afirmações foram criticadas pelo vice-presidente e porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho, que afirmou que o secretário-geral do PS "enganou ou foi enganado" e questionou Carneiro se retiraria a "acusação infundada" que fez ao Governo.

Numa posição transmitida à Lusa, o também eurodeputado social-democrata afirmou que os alojamentos que o secretário-geral do PS visitou em Grândola "nada têm que ver com construção para resposta habitacional" e que se tratavam de casas "para proteção temporária, ao contrário do que disse o secretário-geral do PS".  

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