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Comerciante português radicado em Caracas cria centro de apoio para equipas de resgate

Quando a terra tremeu, Aldo Vieira estava em casa com a mulher. "Graças a Deus, vivo num prédio de poucos andares, abanou bastante, mas nada comparado com o que aconteceu aqui [em La Guaira]", frisou.

04 de julho de 2026 às 19:29

Um comerciante português radicado em Caracas, Aldo Vieira, está a criar um centro de apoio para as equipas de socorristas de pessoas afetadas pelos recentes sismos no estado venezuelano de La Guaira.

"Através de uma fundação na Europa, estamos a montar [instalar] um centro de apoio para equipas de resgate que estão a chegar", disse à agência Lusa.

Aldo Vieira falava à Lusa em Caraballeda, uma localidade do estado de La Guaira onde ruíram vários edifícios residenciais e recreativos, entre eles o conjunto "Tahiti", que ficou totalmente destruído e onde na sexta-feira os socorristas perderam a esperança de encontrar uma criança de oito anos que estava soterrada.

"Muitos deles [socorristas] estão a ficar no Clube Tanaguarenas. Temos uma grande comunidade portuguesa aqui em La Guaira e na direção do Clube Tanaguarenas, muitos também são portugueses", referiu.

Apesar de residir em Caracas, desde o dia seguinte aos sismos de 24 de junho, tem vindo diariamente a La Guaira a levar equipas de resgate e a apoiar a logística.

Quando a terra tremeu, "estava em casa com a mulher e sentiu-o bastante forte".

"Graças a Deus, vivo num prédio de poucos andares, abanou bastante, mas nada comparado com o que aconteceu aqui [em La Guaira]", frisou.

No entanto, conhece várias "pessoas que perderam muitas das suas coisas e que estão a receber apoio de parte da comunidade [portuguesa]".

"Alguns deles já se mudaram para Caracas, e pronto, [há que] tratar de reconstruir tudo juntos, que é o mais importante", concluiu.

Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 2.645 mortos e 12.666 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.

Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

Desde os sismos de magnitude 7,2 e 7,5, foram também registadas 890 réplicas.

Vários países, incluindo Portugal e outros estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.

A base de operações da missão portuguesa de resposta aos sismos está sediada em Catia la Mar, em La Guaira, zona de grande concentração de portugueses e lusodescendentes e uma das mais afetadas.

O número de portugueses e lusodescendentes mortos devido aos sismos que atingiram a Venezuela em 24 de junho subiu para 84, havendo ainda 63 desaparecidos, segundo um balanço divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).

Segundo o MNE, entre os 84 mortos - 72 dos quais tinham também nacionalidade venezuelana - estão 15 crianças e 69 adultos.

Portugal também decretou domingo dia de luto nacional, nomeadamente pelos cidadãos portugueses e lusodescendentes que morreram na sequência do duplo sismo que atingiu a Venezuela.

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