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Reino Unido vai impor quarentena de duas semanas para quem chegue ao país vindo do estrangeiro

Medida entra em vigor no final de maio e faz parte do plano do Governo para aliviar regime de confinamento devido à Covid-19.
Lusa 11 de Maio de 2020 às 11:32
Coronavírus no Reino Unido
Coronavírus no Reino Unido FOTO: Reuters
O Reino Unido vai impor uma quarentena de duas semanas às pessoas que cheguem ao Reino Unido do estrangeiro, com algumas exceções, a partir do fim de maio, revelou esta segunda-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Dominic Raab. 

A medida faz parte do plano do Governo para aliviar o regime de confinamento em vigor no país, que o primeiro-ministro, Boris Johnson, delineou no domingo e que o executivo vai apresentar esta segunda-feira à tarde em detalhe. 

"Qualquer pessoa que chegue ao Reino Unido, sujeito a uma série de exceções que vamos estabelecer, vai precisar de ficar 14 dias em isolamento", disse Raab em declarações à BBC Radio 4 esta segunda-feira.

Como exceções referiu as pessoas que cheguem de França ou da Irlanda, e também motoristas de veículos de mercadorias. 

O objetivo da medida, que até agora as autoridades argumentaram que não fazia sentido aplicar nos aeroportos britânicos, é "evitar o risco de o vírus entrar através de pessoas que não mostram sintomas e comecem a espalhá-lo no país". 

Boris Johnson vai apresentar esta segunda-feira no parlamento um documento mais detalhado sobre o levantamento gradual do confinamento decretado para travar a pandemia covid-19 no Reino Unido.

Numa comunicação televisiva a partir da residência oficial de Downing Street, no domingo à noite, o primeiro-ministro revelou uma reabertura faseada de escolas e lojas não essenciais em Inglaterra a partir de 01 de junho, com a condição de a taxa de contágio se manter reduzida.

As pessoas que não podem trabalhar a partir de casa são "ativamente encorajadas" a voltar ao trabalho a partir desta segunda-feira, mas de preferência sem se deslocar por transportes públicos.

A partir de quarta-feira, deixa de existir o limite a uma única forma de exercício por dia, e passam a ser autorizados desportos que não envolvam contacto físico, como ténis, pesca e golfe, mas entre membros da mesma família.

As autoridades vão passar também a autorizar um uso menos restrito dos parques públicos, incluindo conversas entre pessoas de agregados familiares diferentes, desde que seja respeitada a regra de distanciamento de dois metros, e viagens de automóvel a locais mais distantes. 

Numa terceira etapa, "o mais tardar em julho", o governo pretende reabrir parte da indústria dos serviços, como cafés, restaurantes e cinemas. 

Johnson apresentou um novo Sistema de Alerta Covid de cinco níveis graduados por cores, sendo o risco mais baixo correspondente ao verde e o nível cinco, o mais grave e indicação de que existe uma transmissão do vírus muito alta e sobrecarga dos serviços de saúde, representado por vermelho. 

A mensagem do Governo britânico "fique em casa" foi substituída por "fique alerta", mas só em Inglaterra, pois os governos autónomos da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte recusaram mudar por receio de confundir as pessoas sobre a necessidade de evitar o contacto social.

O plano do Governo suscitou também dúvidas e críticas do patronato, sindicatos e polícia, tal como do líder do Partido Trabalhista, a principal força da oposição, Keir Starmer, que lamentou a falta de "clareza e consenso" das medidas. 

"Esta comunicação levanta mais perguntas do que respostas, e vemos a perspetiva de Inglaterra, Escócia e País de Gales avançarem em direções diferentes", vincou.

O Reino Unido registou até domingo 31.855 óbitos, sendo atualmente o país com o segundo maior número de mortes provocadas pela pandemia covid-19, atrás dos EUA. 

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