Moscovo acha que ataque não foi erro, mas antes "provocação".
A Rússia apelou este domingo a Washington para que faça um inquérito completo sobre os ataques aéreos da coligação internacional contra uma posição do exército sírio que matou, no sábado, pelo menos 60 soldados sírios.
"Moscovo está profundamente inquieto em relação ao que se passou. Apelamos aos nossos parceiros norte-americanos para que façam um inquérito, o mais completo possível, e tomem medidas para evitar tais incidentes no futuro", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Viktorovich Lavrov, num comunicado.
"As ações dos pilotos se, como esperamos, não obedeciam a ordens de Washington, apontam para a negligência criminal ao apoio direto aos terroristas do Estado islâmico", prossegue a nota.
No sábado, a porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, disse que a Rússia ia convocar uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU após os ataques mortais da coligação internacional contra uma posição do exército sírio.
"O embaixador da Rússia junto da ONU está encarregue de convocar uma reunião de urgência do Conselho de Segurança sobre esta questão", disse Maria Zakharova ao canal público Rossia-24.
Mais tarde, o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, disse que se vive na Síria um "momento extremamente crucial" após o ataque aéreo de sábado dos Estados Unidos, estranhando que se tenha tratado de um erro, como assegura Washington.
Já a embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, Samantha Power, considerou a reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU, que decorreu na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, a pedido de Moscovo por causa do ataque, uma "artimanha" e uma "distração daquilo que se está a passar na Síria".
Estas considerações foram feitas aos jornalistas à margem da reunião do Conselho de Segurança da ONU. Os diplomatas costumam fazer declarações aos jornalistas antes e depois das reuniões, mas desta vez tanto Power como Churkin falaram à imprensa enquanto decorriam os debates e deliberações, à porta fechada.
Power disse que Washington está a investigar o ataque aéreo contra posições do exército sírio na cidade de Deir al Zor, no qual, segundo Moscovo, morreram pelo menos 60 militares da Síria.
Os EUA já lamentaram a perda "não intencional" de vidas humanas e explicaram que, provavelmente, tratou-se de um erro e que as forças norte-americanas acreditariam que estavam a atacar um grupo dos extremistas do Estado Islâmico.
No sábado, Power acusou ainda Moscovo de atuar de forma "hipócrita e cínica" ao convocar a reunião do Conselho de Segurança por causa deste caso, quando não o fez noutras ocasiões, como quando o regime sírio, aliado da Rússia, foi acusado de atropelos contra civis e de uso de armas químicas ou quando houve bombardeamentos sobre hospitais.
Churkin, que saiu da reunião para responder às declarações da embaixadora dos EUA, disse que o ataque de sábado pode pôr em risco a trégua na Síria acordada entre Washington e Moscovo a 09 de setembro.
Segundo o embaixador russo, com esta ação militar os EUA violaram dois compromissos: respeitar o cessar-fogo e respeitar as posições das Forças Armadas sírias.
"Este não é um bom momento. Este é um momento crucial", sublinhou Churkin, que avançou ainda a possibilidade de o ataque ter sido uma "provocação", sem dar mais detalhes, dizendo que é "estranho" que tenha sido um erro.
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