O crescimento da economia portuguesa depende cada vez mais da capacidade das empresas ganharem escala, reforçarem a sua competitividade e prepararem as suas lideranças para os desafios de uma economia global, considera Carlos Moreira da Silva
O Business Roundtable Portugal (BRP), reúne 46 dos maiores grupos empresariais e a sua missão da organização vai além do diagnóstico dos problemas estruturais da economia e passa por apresentar soluções concretas e acompanhar a sua implementação. Um dos exemplos mais relevantes é o programa Pro_Mov Portugal, criado em parceria com o Instituto do Emprego e Formação Profissional. Segundo o presidente do BRP, a iniciativa nasceu da convicção “profunda de que todos temos que nos requalificar mais e com mais frequência do que no passado”, disse Carlos Moreira da Silva, no programa Economia Sem Fronteiras, do canal Now.
O programa Metamorfose nasceu do “reconhecimento de que a governação é um auto-bloqueio ao crescimento às transições de geração das empresas portuguesas, nomeadamente nas pequenas e médias empresas”, afirmou Carlos Moreira da Silva. Para responder a este desafio, o BRP disponibiliza ferramentas de autoavaliação, guias de boas práticas, de um sistema de scoring para auto-avaliação relativamente às melhores práticas e uma rede de quadros de empresas do BRP, que foram formados no Instituto Português de Corporate Governance.
A associação aposta igualmente no programa Empresas Adolescentes e Jovens Adultas (AJA), dirigido a organizações com faturação entre 30 e 150 milhões de euros, tendo identificado 403 empresas, que “conseguiram encontrar um modelo de negócio que lhes permite crescer muito acima daquilo que o mercado”. Para Carlos Moreira da Silva, a partilha de experiência por parte de líderes empresariais mais experientes surge, como um fator decisivo para acelerar o crescimento e a internacionalização destas empresas.
Na opinião de Carlos Moreira da Silva, o país continua sem assumir a reforma fiscal como um verdadeiro projeto nacional capaz de mobilizar diferentes forças políticas. “A progressividade do IRC é penalizadora do sucesso e é um incentivo à deslocalização, ao não crescimento e a divisão das empresas, afetando os ganhos de escala. É uma coisa que nasceu numa situação muito especial, temporariamente, durante a troica”, afirmou Carlos Moreira da Silva.
Portugal tem a terceira taxa máxima mais elevada da União Europeia de IRC, 29,5%, só atrás da Malta e da Alemanha, e muito acima da média de 21% da União Europeia. Além disso, o sistema de IRC é progressivo, porque a derrama estadual cresce com os resultados das empresas, ou seja, quanto mais as empresas lucram, mais pagam. “Quem não tem sucesso paga 12% de IRC”, refere.
A crítica estende-se também ao Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) em que Portugal, com oito escalões. Em termos de escalões, a média europeia é 4,5, e a taxa máxima é 37% em média. Em Portugal, o escalão de 80 mil euros brutos tem uma taxa de 48% e tem ainda mais dois escalões com uma taxa de 53%, sendo das mais elevadas da União Europeia.
Carlos Moreira da Silva considera que “mesmo nos escalões mais baixos, o sistema é muito injusto e é amoral, penaliza o sucesso, desincentiva o crescimento e o mérito das pessoas. O BRP propôs, antes das últimas eleições, uma anulação dos primeiros cinco escalões e se chegar ao fim da legislatura com quatro escalões de IRS”. Os escalões mínimos, que representam 60% da população e uma receita mínima de impostos, teriam “mais qualidade de vida porque que os impostos não agravariam a sua melhoria de remuneração”.
Mas os problemas da competitividade nacional não se esgotam na fiscalidade. Quase 49% das empresas, ou seja, metade, identifica a regulamentação como uma barreira fundamental contra 32% da média europeia e Portugal ocupa o 9.º pior lugar, entre 38 países da OCDE, nos indicadores de eficiência regulatória.
A justiça administrativa e fiscal é uma das preocupações e o BRP apresentou ao Governo um conjunto de propostas destinadas a melhorar a eficiência do sistema, mas “até o momento não tivemos grande recetividade e não sabemos se é por discordar, ter outras prioridades ou por inoperância”, refere Carlos Moreira da Silva.
Ainda mais contundente é a sua avaliação da burocracia que considera um flagelo português e europeu. Embora reconheça como positivos os anúncios recentes do Governo em matéria de simplificação administrativa, considera que o verdadeiro desafio continua a ser a execução. “Temos tido muitos anúncios de muitas medidas estruturais ao longo dos últimos dois anos, mas vemos chegar a execução ao terreno”, alerta Carlos Moreira da Silva.
O Business Roundtable Portugal (BRP), reúne 46 dos maiores grupos empresariais e a sua missão da organização vai além do diagnóstico dos problemas estruturais da economia e passa por apresentar soluções concretas e acompanhar a sua implementação. Um dos exemplos mais relevantes é o programa Pro_Mov Portugal, criado em parceria com o Instituto do Emprego e Formação Profissional. Segundo o presidente do BRP, a iniciativa nasceu da convicção “profunda de que todos temos que nos requalificar mais e com mais frequência do que no passado”, disse Carlos Moreira da Silva, no programa Economia Sem Fronteiras, do canal Now.
O programa Metamorfose nasceu do “reconhecimento de que a governação é um auto-bloqueio ao crescimento às transições de geração das empresas portuguesas, nomeadamente nas pequenas e médias empresas”, afirmou Carlos Moreira da Silva. Para responder a este desafio, o BRP disponibiliza ferramentas de autoavaliação, guias de boas práticas, de um sistema de scoring para auto-avaliação relativamente às melhores práticas e uma rede de quadros de empresas do BRP, que foram formados no Instituto Português de Corporate Governance.
A associação aposta igualmente no programa Empresas Adolescentes e Jovens Adultas (AJA), dirigido a organizações com faturação entre 30 e 150 milhões de euros, tendo identificado 403 empresas, que “conseguiram encontrar um modelo de negócio que lhes permite crescer muito acima daquilo que o mercado”. Para Carlos Moreira da Silva, a partilha de experiência por parte de líderes empresariais mais experientes surge, como um fator decisivo para acelerar o crescimento e a internacionalização destas empresas.
Na opinião de Carlos Moreira da Silva, o país continua sem assumir a reforma fiscal como um verdadeiro projeto nacional capaz de mobilizar diferentes forças políticas. “A progressividade do IRC é penalizadora do sucesso e é um incentivo à deslocalização, ao não crescimento e a divisão das empresas, afetando os ganhos de escala. É uma coisa que nasceu numa situação muito especial, temporariamente, durante a troica”, afirmou Carlos Moreira da Silva.
Portugal tem a terceira taxa máxima mais elevada da União Europeia de IRC, 29,5%, só atrás da Malta e da Alemanha, e muito acima da média de 21% da União Europeia. Além disso, o sistema de IRC é progressivo, porque a derrama estadual cresce com os resultados das empresas, ou seja, quanto mais as empresas lucram, mais pagam. “Quem não tem sucesso paga 12% de IRC”, refere.
A crítica estende-se também ao Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) em que Portugal, com oito escalões. Em termos de escalões, a média europeia é 4,5, e a taxa máxima é 37% em média. Em Portugal, o escalão de 80 mil euros brutos tem uma taxa de 48% e tem ainda mais dois escalões com uma taxa de 53%, sendo das mais elevadas da União Europeia.
Carlos Moreira da Silva considera que “mesmo nos escalões mais baixos, o sistema é muito injusto e é amoral, penaliza o sucesso, desincentiva o crescimento e o mérito das pessoas. O BRP propôs, antes das últimas eleições, uma anulação dos primeiros cinco escalões e se chegar ao fim da legislatura com quatro escalões de IRS”. Os escalões mínimos, que representam 60% da população e uma receita mínima de impostos, teriam “mais qualidade de vida porque que os impostos não agravariam a sua melhoria de remuneração”.
Mas os problemas da competitividade nacional não se esgotam na fiscalidade. Quase 49% das empresas, ou seja, metade, identifica a regulamentação como uma barreira fundamental contra 32% da média europeia e Portugal ocupa o 9.º pior lugar, entre 38 países da OCDE, nos indicadores de eficiência regulatória.
A justiça administrativa e fiscal é uma das preocupações e o BRP apresentou ao Governo um conjunto de propostas destinadas a melhorar a eficiência do sistema, mas “até o momento não tivemos grande recetividade e não sabemos se é por discordar, ter outras prioridades ou por inoperância”, refere Carlos Moreira da Silva.
Ainda mais contundente é a sua avaliação da burocracia que considera um flagelo português e europeu. Embora reconheça como positivos os anúncios recentes do Governo em matéria de simplificação administrativa, considera que o verdadeiro desafio continua a ser a execução. “Temos tido muitos anúncios de muitas medidas estruturais ao longo dos últimos dois anos, mas vemos chegar a execução ao terreno”, alerta Carlos Moreira da Silva.
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