Declaração surge após o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, ter feito um apelo ao Governo para que elimine o sistema da cidade.
A ministra do Ambiente rejeitou esta quarta-feira cancelar o sistema de depósito de embalagens Volta, recusando que este seja responsável pelo "drama social" de pessoas a remexer no lixo para recolher garrafas, como denunciou o presidente da Câmara de Lisboa.
"O drama social é independente do Volta. É um drama social que está relacionado com a pobreza, que está relacionado com os sem-abrigo e que vão buscar alguma forma de ter algum rendimento utilizando estas garrafas", afirmou a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, em declarações aos jornalistas em Estrasburgo, após o debate do Estado da União.
Questionada sobre o pedido do presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), para que o Governo (PSD/CDS-PP) cancele "de imediato" o sistema Volta, com o reembolso de 10 cêntimos por embalagem, a ministra Maria da Graça Carvalho recusou pôr fim a este instrumento de reciclagem de plástico, até por ser "obrigatório a nível europeu".
Considerando que o sistema Volta vem tornar "mais visíveis" problemas sociais, como a pobreza e as pessoas em situação de sem-abrigo, e problemas na higiene urbana, a ministra do Ambiente disse que há outras cidades na Europa que tiveram o mesmo problema que Lisboa e resolveram-no "colocando estas embalagens que têm retorno num recipiente separado do resto do lixo".
"Poderá ser uma das soluções. Nós estamos a estudar as soluções para aplicar. E aí já se evita a questão de espalhar os resíduos, que é uma das questões que o presidente Carlos Moedas aponta", indicou, argumentando que a criação de um recipiente separado para as embalagens Volta permitirá que "não haja mistura" com o restante lixo.
Revelando que já falou com o presidente da Câmara de Lisboa sobre a situação, a governante reforçou que as problemáticas registadas "extravasam muito o problema do retorno dos plásticos", porque "são mais estruturais do que este sistema Volta".
Maria da Graça Carvalho lembrou que Portugal foi o 19.º país da União Europeia a executar este sistema de depósito de embalagens, tanto de garrafas de plástico como de latas, no âmbito do cumprimento de uma medida do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
"Os problemas que vão surgindo vamos resolvendo, mas em muitos locais está a correr bem. Aliás, há 304 milhões de garrafas que foram devolvidas, foram recicladas e de uma forma positiva, que correu bem, portanto, é considerado um caso de sucesso esta aplicação em Portugal", declarou a ministra, rejeitando voltar atrás na execução do sistema Volta, em funcionamento desde 10 de abril.
A ministra reforçou que o sistema "está a ser bem-sucedido" quanto à reciclagem de embalagens, de tal modo que a meta prevista era de 40% até ao fim deste ano e, neste momento, já foi ultrapassada, registando 44% das garrafas de plástico devolvidas.
A governante realçou ainda que, desde 2023, por não ter sistema de depósito de embalagens, Portugal pagou 200 milhões de euros por ano, totalizando já 600 milhões de euros, de multa à Comissão Europeia por não estar a reciclar as garrafas de plástico.
Quanto às preocupações dos municípios, em particular o de Lisboa, Maria da Graça Carvalho disse que o Governo está disponível para ajudar e perceber os problemas registados, mas ressalvou que "não se pode atribuir as questões dos resíduos em si ao sistema Volta", apontando para a necessidade de melhorar a recolha e limpeza urbana nas cidades.
"Temos outro tipo de responsabilidades a nível dos resíduos e nunca escondi que os resíduos são o nosso maior desafio a nível ambiental", declarou.
O presidente da Câmara de Lisboa pediu ao Governo para "cancelar de imediato" o sistema de depósito de embalagens Volta, defendendo que "uma política ambiental não deve ser nem um imposto, nem um drama social".
"Peço ao Governo para fazer exatamente como foi feito em França, cancelar de imediato este sistema. É uma boa intenção. É um mau resultado. Não queremos", disse Carlos Moedas, na terça-feira, na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa.
Esta quarta-feira, antes da resposta pública da ministra do Ambiente, Carlos Moedas ressalvou que o sistema Volta resulta de obrigação europeia e que, se não for executado, Portugal terá de pagar uma multa, mas afirmou: "Se os franceses não pagaram essa multa e pararam, nós também podemos seguramente fazer a mesma coisa."
O sistema Volta tem provocado impactos negativos na higiene urbana em Lisboa, bem como em outros municípios, com contentores remexidos ou mesmo despejados na via pública, com o objetivo de obter o reembolso de 10 cêntimos por embalagem.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.