Para Paulo Macedo é importante a gestão do portfólio, pois “estamos em geografias com maior risco, mas em condições normais também tem maior rentabilidade”
A Caixa Geral de Depósitos (CGD) tem operações bancárias próprias, sobretudo em mercados africanos de língua portuguesa como Angola, Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, também no Brasil e em mercados europeus como França, Luxemburgo, Bélgica, Alemanha, Suíça e Reino Unido. Estes mercados representam 44% dos colaboradores da CGD. No entanto, o peso dos resultados da atividade internacional no banco tem vindo a reduzir-se. Já foi superior a 20% e, neste momento, está em cerca de 10%.
Paulo Macedo, presidente executivo da CGD, explica no programa Economia Sem Fronteiras, no canal Now, que a redução de resultados está relacionada com questões conjunturais e sublinha que, em Angola, aconteceu “por causa de questões cambiais, e em Moçambique, porque houve um downgrade em termos de rating”. Acrescenta ainda que, em Macau, a queda de resultados está relacionada com “uma redução da economia das microempresas, porque há um apelo para que a população de Macau faça compras em Hong Kong ou nas novas cidades que se erguem à volta, em Guangdong, e também há menos procura de crédito por parte dos casinos, o que é pontual”.
O processo de recapitalização da CGD pelo acionista Estado foi negociado com a Direção-Geral da Concorrência europeia e aprovado pela Comissão Europeia, pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Banco de Portugal, e incluía a venda das operações do banco na África do Sul, em Espanha e no Brasil, onde registava prejuízos. Paulo Macedo esclareceu que, nestes dois últimos mercados, atuam alguns dos melhores e maiores bancos de retalho do mundo e que ter bancos de retalho “com quotas de mercado inferiores a meio por cento, ou um por cento, não é uma coisa que seja fácil”.
Para o presidente executivo da CGD, “os negócios estratégicos são aqueles onde os clientes e as autoridades nos querem, ou seja, não é a Caixa que tem a arrogância de dizer onde vamos estar a todo o custo. Estamos onde temos uma base de clientes forte que nos procura e que as nossas equipas servem”. Sublinha que “é importante a gestão do portfólio, estamos em geografias com maior risco, mas, em condições normais, também têm maior rentabilidade”. Realça ainda que esta gestão tem de ser equilibrada com as “regras do BCE que muitas vezes são distintas das regras para o sistema financeiro local, mas o rigor muito significativo é atrativo para um conjunto de clientes nestes países”.
A Caixa tem um balanço superior a 100 mil milhões de euros, mas para Paulo Macedo, à dimensão tem de se associar a “qualidade, o que lhe dá uma perspectiva positiva para o futuro”.
Em 2024, a receita da Caixa Geral de Depósitos (CGD) atingiu 3,5 mil milhões de euros e os resultados ultrapassaram os 1.700 milhões de euros. Isto significa que, desde 2019, as receitas medidas pelo produto bancário aumentaram 86% e os resultados 123,6%. Nos primeiros nove meses de 2025, a receita teve um decréscimo de cerca de 7%, mas os resultados subiram 2,2%. Se em termos de resultados, 2024 foi o melhor ano de sempre da CGD, Paulo Macedo promete que em 2025 “vai voltar a ter resultados bastante expressivos, o que significa que vai voltar a distribuir dividendos muito significativos ao acionista único e vai pagar um valor significativo também de IRC”.
Do ponto de vista financeiro, a CGD apresenta um retorno sobre o capital investido superior à média europeia, o melhor rácio cost-to-income do setor e um nível de capitalização claramente acima dos seus pares, considera Paulo Macedo. O Core Tier 1, o “capital mais puro”, situa-se em 21%, enquanto outros bancos europeus apresentaram recentemente valores na ordem dos 13,5% e, como ressalta Paulo Macedo, “a Caixa tem um capital muito forte, mas não pode ir ao mercado da mesma maneira que os outros bancos”. O crédito malparado (NPL) caiu de mais de 15% para apenas 1,5% e está integralmente coberto por imparidades.
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