Nos últimos dez anos, as exportações da União Europeia para a Índia aumentaram cerca de 50% e as importações provenientes da Índia cerca de 80%. Com o acordo de livre comércio deverá crescer 107% até 2032
O Acordo de Livre Comércio entre a União Europeia e a Índia, assinado a 27 de janeiro de 2026, reúne um mercado com dois mil milhões de pessoas, representa um quarto do PIB mundial e cobre um terço do comércio global. Para a Índia, abre o acesso a 450 milhões de consumidores europeus. Para a UE, projeta-se uma poupança de cerca de quatro mil milhões de euros anuais em tarifas.
O comércio bilateral, que ronda os 136 mil milhões de euros, deverá crescer 107% até 2032, segundo projeções europeias, e o número de empregos suportados por esse fluxo, hoje em 800 mil, poderá crescer acentuadamente. “Para a Índia, reduzirá os custos dos fatores de produção de qualidade para a indústria indiana, o que favorecerá a industrialização e a criação de emprego, e permitirá a integração da Índia nas cadeias globais de valor e de abastecimento”, assinalou Puneet Kundal.
“Portugal desempenhou um papel muito importante para que chegássemos ao acordo”, disse Puneet Kundal. Em 2000, durante a presidência portuguesa da União Europeia, realizou-se a primeira cimeira Índia-UE e iniciaram-se as discussões sobre um acordo. As negociações arrancaram em 2007 e prosseguiram até 2013. Em 2021, na cimeira no Porto entre a Índia e a União Europeia, durante a presidência portuguesa da UE, ficou estabelecido um roteiro final, que terminou com a assinatura do acordo em janeiro de 2026.
Portugal “tem funcionado como ponto de entrada para os produtos indianos na Europa”, afirmou Puneet Kundal, sublinhando que os portos e infraestruturas logísticas nacionais ganham uma nova dimensão neste contexto. A isso acresce o que o diplomata descreve como “uma triangulação muito singular”, que junta os laços europeus de Portugal, que exporta 70% de bens e serviços para a União Europeia, a sua ligação histórica à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), sobretudo África e Brasil, e agora a dimensão indiana. Três esferas de influência complementares, com Portugal no centro.
Entre 2015 e 2025, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Índia cresceu a uma taxa média de cerca de 7% ao ano em termos reais. Entre os fatores estruturais por detrás deste desempenho está a demografia favorável, com uma idade mediana de 29 anos. “É um país jovem, qualificado, em que as pessoas querem prosperar. Temos como objetivo transformar a Índia num país desenvolvido até 2047, é o chamado Viksit Bharat”, disse Puneet Kundal.
A Índia apostou numa transformação estrutural assente em infraestruturas, tecnologia e digitalização. Faz 28 quilómetros de estrada por dia, 14 quilómetros de linha ferroviária por dia, 88 novos aeroportos na última década e um novo metro inaugurado a cada ano e meio. “Em fevereiro realizaram-se 743 milhões de transações digitais por dia, entre 700 e 750 milhões de transações diárias”, disse o embaixador, referindo-se ao sistema de pagamentos UPI (Unified Payments Interface). O número de aeronaves a entrar ao serviço na Índia é de cerca de uma por semana. O setor da aviação, que vale entre 14 e 15 mil milhões, deverá atingir entre 30 e 32 mil milhões até 2032.
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