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“Quem não estiver a olhar para a Índia irá arrepender-se”

O embaixador da Índia estima que o investimento indiano em Portugal se situe na ordem dos 500 milhões de euros, enquanto o investimento português naquele país ronda os 123 a 124 milhões, concentrado em setores muito específicos

04 de maio de 2026 às 13:08

A Índia e Portugal partilham uma relação histórica com mais de 500 anos. “A relação é sólida e forte, mas a relação económica não espelha a profundidade da relação que temos a nível político”, afirma Puneet Kundal, embaixador da Índia em Portugal desde outubro de 2024, a Miguel Frasquilho no programa Economia Sem Fronteiras do canal Now. Mesmo assim, o comércio entre Portugal e a Índia tem crescido. Entre 2015 e 2025 as exportações portuguesas para a Índia aumentaram mais de 400%, para 409 milhões de euros, e as importações provenientes da Índia mais do que duplicaram, ultrapassando os mil milhões de euros. Não obstante, a Índia é apenas o 18.º destino das exportações portuguesas e o 15.º fornecedor no que respeita às importações.

Puneet Kundal salienta que ambos os países “estão a adotar medidas ativas para que os números cresçam”. A conectividade direta entre a Índia e Portugal, dada a distância geográfica, é um dos obstáculos. “Como se sabe, a conectividade segue o negócio e o negócio segue a conectividade. Não existem voos diretos, mas estamos a trabalhar num acordo de serviços aéreos entre a Índia e Portugal. Quando acontecer a conectividade aérea direta, seguir-se-ão os fluxos comerciais”.

O embaixador da Índia aponta como tendência positiva o “intenso movimento turístico entre os dois países, sendo que o turismo é um dos principais pilares da economia portuguesa”. “A Índia não é uma entidade desconhecida em Portugal, é uma relação viva. Existe uma grande comunidade indiana e os produtos indianos são bem conhecidos. A maioria das empresas de software indianas está presente em Portugal há bastante tempo. Há motas indianas em Portugal como a Bajaj, que abriu recentemente o seu showroom, e a Royal Enfield. Além disso, têm ocorrido várias fusões e aquisições. As empresas indianas demonstram um interesse ativo em investir em Portugal e em fazer avançar esta relação”, afirmou Puneet Kundal.

A farmácia do mundo

Este diplomata indiano estima que o setor eletrónico indiano deverá atingir os 300 mil milhões de euros até ao final deste ano e refere que “em ano e meio, as importações de telemóveis indianos aumentaram de 26 milhões para cerca de 66 milhões de euros. A Apple produz hoje 20% da sua produção na Índia, que deverá subir para 35% até ao final do próximo ano. Os grandes fabricantes mundiais estão a entrar na Índia”, concluiu Puneet Kundal.

Além disso, salientou que “a Índia é conhecida como a farmácia do mundo, sendo o maior produtor de medicamentos genéricos, e Portugal tem muito potencial e muita competência nesta área”. Nas energias renováveis, a Índia tem como meta atingir 500 gigawatts de energia renovável até 2030, reduzindo a intensidade das emissões em 47% até 2035.

Fez um apelo para que os empresários portugueses olhem para a Índia como o resto do mundo, sendo um dos principais destinos de investimento direto estrangeiro. “Realizaram-se enormes reformas económicas. As normas sobre investimento estrangeiro foram liberalizadas, os códigos laborais foram simplificados e passaram de cerca de 29 legislações para quatro códigos laborais. Estamos de braços abertos a todos os investidores que queiram investir na Índia. Lembrem-se: uma maré crescente levanta todos os barcos. Quem não estiver a olhar para a Índia irá arrepender-se e, se perderem esta oportunidade, não têm outra”, concluiu Puneet Kundal.

A quarta maior economia

A Índia é hoje uma das economias mais dinâmicas do mundo, com um PIB estimado em mais de 4,1 biliões de euros em 2026, sendo já a quarta maior economia mundial, tendo ultrapassado o Japão precisamente no presente ano. Com mais de 1,4 mil milhões de habitantes, é o país mais populoso do mundo, apresenta taxas de crescimento robustas e é, por isso, considerada um dos principais motores da economia global. A economia indiana é cerca de 13 vezes superior à portuguesa, refletindo a sua dimensão e relevância globais.

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