Paulo Moita de Macedo defende que a inteligência artificial terá impactos positivos na eficiência das empresas e na redução de custos, mas alerta que a sua adoção exige regulação, verificação dos resultados e uma visão que vá além das melhorias incrementais.
A inteligência artificial pode aumentar a eficiência das empresas e reduzir custos, mas a sua adoção exige regulação, verificação dos resultados e objetivos claros. “A inteligência artificial tem diversas aplicações e diversos estádios de desenvolvimento consoante as áreas. Mais na área financeira, no direito, na medicina; menos na construção civil, menos, como parece óbvio. Portanto, a inteligência artificial não é uma resposta para tudo e precisa de uma regulamentação e de uma verificação de todos os seus outputs. Por isso, precisamos de saber exatamente o que pretendemos da inteligência artificial”, disse Paulo Moita de Macedo, presidente executivo da CGD, durante o Encontro Fora da Caixa, realizado no Cine-Teatro de Almeirim, no qual também foram galardoadas as empresas vencedoras da 3.ª edição dos Prémios Caixa ESG.
O presidente executivo da CGD considerou que, em Portugal, são as maiores empresas e as médias empresas que estão a fazer formação. “Mas, depois, é preciso saber quais são os objetivos da empresa para a sua sustentabilidade e para a IA. Porque uma boa adoção pode levar a uma eficiência muito grande e a melhores outputs”, afirmou Paulo Moita de Macedo. Na sua perspetiva, “temos uma eficiência que está a ser maior e um crescimento sob pressão para o qual a inteligência artificial vai concorrer e contribuir. A IA tem mais questões positivas do que negativas. Significará uma redução de custos, mas isto, por si só, não chega, porque não podemos estar num mundo apenas de redução de custos e de melhorias incrementais”.
Paulo Moita de Macedo salientou que “hoje em dia todas as empresas procuram utilizar a inteligência artificial, basicamente todos estão convencidos de que a inteligência artificial vai trazer maiores eficiências às empresas, mas ainda se está para ver como”. Por isso, fez referência aos biliões de euros de investimento que as empresas tecnológicas norte-americanas e a China estão a fazer, dominando de forma avassaladora a sua cadeia de valor.
Alertou ainda que “uma infraestrutura essencial para a IA é a dos data centers, que consomem muita energia”. Acrescentou que “os data centers são ótimos, permitem o nosso desenvolvimento, entrar numa outra parte tecnológica, permitem a criação de empregos. Primeiro, as pessoas acham muito interessante que os data centers venham; depois, começam a ver o que gastam, quais são os riscos”.
Para Paulo Moita de Macedo, “as tarifas vieram para ficar, mas há uma grande diferença entre as tarifas anunciadas e as aplicadas. No entanto, grande parte das empresas, como as portuguesas, é afetada por uma falta de previsibilidade. Aprendemos que as economias gostam de previsibilidade, o que, neste mundo incerto, é bastante difícil”. “A questão da deriva geopolítica” e as alterações na ordem mundial são hoje fatores determinantes para a sustentabilidade das empresas, afirmou, sublinhando que os impactos vão desde o aumento dos custos de transporte até à necessidade de repensar fornecedores e mercados de exportação.
No plano empresarial, Paulo Moita de Macedo identificou ainda uma preocupação crescente com a captação e retenção de talento. Entre os riscos mais relevantes apontados pelas empresas surgem já, ao lado das questões geopolíticas, as dificuldades em assegurar recursos humanos qualificados. “Se eu consigo ou não captar o talento suficiente para as minhas organizações” tornou-se uma das grandes interrogações dos gestores.
A sustentabilidade foi igualmente destacada como prioridade estratégica da Caixa Geral de Depósitos. O banco tem aumentado o peso do financiamento sustentável na sua carteira de crédito, tanto às empresas como à habitação, privilegiando projetos e ativos com melhor desempenho ambiental. Recordou ainda o papel pioneiro da instituição na emissão de obrigações sociais e verdes no mercado português, enquadrando estas iniciativas no compromisso da Caixa com a transição energética e a responsabilidade social.
A perda de produtividade da Europa face aos Estados Unidos continua a ser uma preocupação central e exige, segundo Paulo Moita de Macedo, investimentos de grande escala em inovação, defesa, energia e semicondutores. Ao mesmo tempo, alertou para os efeitos da excessiva carga regulatória e para a dificuldade europeia em realocar recursos para atividades mais produtivas. “Se mantiver tudo, o resultado não vai ser diferente”, observou, defendendo uma maior capacidade de adaptação económica.
A evolução demográfica representa outro desafio estrutural. Com uma população envelhecida e taxas de natalidade insuficientes para assegurar a renovação geracional, as empresas terão de prolongar a permanência dos trabalhadores mais experientes no mercado laboral e adaptar-se a uma realidade em que a mão de obra será cada vez mais escassa.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.