Ermal junta tribos mas perde público

Uma noite inteiramente dedicada ao metal marcou o arranque do Festival Ilha do Ermal 2005, que este ano se antecipou na data e diversificou no cartaz, abrindo-se a outras toadas musicais e juntando no mesmo recinto, à beira de água, metaleiros, ‘rastafaris’ e adeptos da pop.

26 de junho de 2005 às 00:00
Ermal junta tribos mas perde público Foto: Sérgio Freitas
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O pontapé de saída ficou marcado pela negritude das roupas com mensagens sugestivo-satânicas e pelo sacudir das cabeleiras fartas, mas deixou contudo algo a desejar em termos de afluência.

A promotora Música no Coração estima que tenham estado no recinto “cerca de seis mil pessoas ”, mas certo é que os ‘fiéis’ do death-speed metal que se aglomeraram junto do palco não terão ultrapassado o milhar. Entre eles, muitos eram os desiludidos com a onda mais ‘soft’ do festival, tradicionalmente o mais pesado do país.

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“É a quarta vez que venho ao Ermal. Este ano vim para ouvir Morbid Angel, mas no geral o cartaz está mais fraco”, disse ao CM Ana Neves, uma estudante de 21 anos, da Póvoa de Varzim.

Com preferências musicais idênticas, Rui Neves, militar, 25 anos, justificava a menor adesão com a antecipação da data, sublinhando que “ainda há gente a fazer exames”.

Álvaro Covões, da Música no Coração, admite que a mudança de orientação do festival pode ter criado alguma desilusão aos fãs de metal, mas acredita que “o público português é aberto” e a divisão em géneros musicais por dia “juntou tribos diferentes no Ermal”.

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“Esperávamos mais gente, mas o balanço é positivo e esperamos ainda mais gente nos dois últimos dias”, revelou.

À hora marcada, os portugueses Blacksunrise subiram ao palco, cabendo-lhes a tarefa de aquecer o ambiente para as lendas do death metal Morbid Angel e para os suecos Entombed e Unleashed. Aos poucos, os gritos guturais, as provocações ao público e os sons metálicos foram invadindo o recinto, com variações rítmicas alucinantes, alcançando a praça da alimentação, as tendas de música e artesanato e os carrinhos de choque, que este ano emprestam animação ao local.

“Está organizado e há muita coisa para ocupar o tempo entre concertos”, constatou Cátia Costa, que veio de Aveiro para ver os Blacksunrise.

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Para hoje, as expectativas concentram-se nos portugueses Da Weasel e The Gift e, inevitavelmente, no norte-americano Beck, o nome mais sonante do festival.

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