Guerra na Ucrânia e resistência da mulher no Irão em destaque no festival de cinema Hádoc em Leiria

Festival começa na terça-feira e exibe sete filmes até ao final de junho.

06 de abril de 2026 às 09:52
sala de cinema Foto: Ricardo Pereira
Partilhar

A guerra na Ucrânia e a história de resistência de uma mulher no Irão marcam a programação da 15.ª edição do festival de cinema documental Hádoc, que começa na terça-feira em Leiria e que exibe sete filmes até ao final de junho.

Pensado para chegar a diversos públicos, o festival volta este ano a apresentar um conjunto de documentários de temática plural, que "não vão deixar ninguém indiferente", prometeu a organização, a cargo da associação ecO.

Pub

Segundo Nuno Granja, responsável da ecO e um dos programadores, o ponto mais relevante desta edição é a seleção de dois filmes sobre a guerra na Ucrânia.

"Sendo um festival de cinema documental, o que normalmente indica alguma aproximação à atualidade, temos desde o início da invasão procurado encontrar um filme que transmita de forma menos óbvia o espírito de resistência do povo ucraniano", explicou à agência Lusa.

Este ano, a ecO conseguiu concretizar esse objetivo, levando a Leiria e ao Teatro Miguel Franco - onde decorrem todas as sessões - "Guerra de Porcelana", de Brendan Bellomo e Slava Leontyev, no dia 26 de maio, "num registo mais poético e afirmativo", e "Canções de uma terra em lume brando", de Olha Zhurba, "uma toada mais dura e negra", no dia 16 de junho.

Pub

"São dois excelentes filmes, a não perder", frisou Nuno Granja.

Outro cenário de guerra surge na programação de Hádoc, ainda que indiretamente. O foco não é a guerra no Irão, mas a resistência e ativismo contra a opressão sobre as mulheres, que é tratado em "Onde a rocha fende", de Mohammadreza Eyni e Sara Khaki.

Filmado ao longo de oito anos, o documentário esteve nomeado para os Óscares e venceu vários prémios em festivais relevantes.

Pub

"Acompanha uma mulher que se envolve ativamente no ativismo e na política, o que dado o contexto iraniano é, por si só, um ato de rebelião e coragem", realçou o organizador do festival.

A programação arranca na terça-feira com um documentário dedicado à música, uma tradição do Hádoc.

"Led Zeppelin: O nascimento da lenda", de Bernard MacMahon, conta com a participação em entrevista dos próprios músicos (em arquivo, o falecido John Bonham).

Pub

"Naturalmente, é incontornável para qualquer fã de rock".

Ainda em abril, no dia 14 passa em Leiria "Orwell 2+2=5", uma experiência cinematográfica intensa e profundamente atual de Raoul Peck, "que parte da vida e da obra de George Orwell para questionar o presente político e mediático".

No dia 28 de abril, o Teatro Miguel Franco recebe "O conto de Silyan", de Tamara Kotevska.

Pub

"É um filme belíssimo, que venceu o prémio do IDA - International Documentary Association. Uma história ao mesmo tempo inspiradora e crítica, mas acima de tudo envolta numa enorme sensibilidade", destacou Nuno Granja.

O Hádoc encerra em 30 de junho com "Comboios", de Maciej Drygas, que a organização tentou, sem sucesso, exibir na edição anterior.

"Felizmente, conseguimos fazê-lo agora, com honras de encerramento, já que é um filme bastante particular, construído a partir de milhares de imagens/filmagens de arquivo. Naturalmente é acerca de muito mais do que 'comboios', mas isso é algo que deixamos ao espetador para descobrir", concluiu o programador.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar