Marcelo entrega Grande Colar da Ordem de Camões postumamente a José Saramago
Condecoração foi recebida pela viúva do escritor Pilar del Río, presidente da Fundação Saramago.
O Presidente da República entregou esta terça-feira a título póstumo o Grande Colar da Ordem de Camões a José Saramago.
A distinção foi entregue no Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa, onde decorre esta terça-feira à noite o concerto de abertura das comemorações do centenário do escritor, que se assinala em 2022.
"A palavra do escritor, sendo individual, dirige-se a todos e chega a muitos milhões. A palavra do Presidente representa muitos, alguns milhões, mesmo quando se dirige a um indivíduo ou, neste caso, ao seu legado", assinalou Marcelo Rebelo de Sousa.
A Condecoração foi recebida pela viúva do escritor Pilar del Río, presidente da Fundação Saramago.
A medalha de Ordem de Camões é a mais recente ordem honorífica portuguesa, criada em junho e a primeira foi atribuída ao reaberto Museu da Língua Portuguesa de São Paulo, no Brasil.
Na assistência estavam, entre outros, o primeiro-ministro, António Costa, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas.
José Saramago nasceu em 16 de novembro de 1922, na aldeia ribatejana de Azinhaga, e morreu em 18 de junho de 2010, na ilha espanhola de Lanzarote. O centenário do seu nascimento começou hoje a ser celebrado, um ano antes, com uma programação cultural internacional.
O Presidente da República referiu que "a Fundação [José Saramago], as escolas, as bibliotecas, os teatros, os poderes públicos e a sociedade, em Portugal e por todo o mundo", irão comemorar esta data e que, "desse vasto programa, este é um dos momentos marcantes e mais institucionais".
Numa intervenção de cerca de cinco minutos, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que José Saramago seria o primeiro a reconhecer "que as palavras fazem coisas, levantam as pessoas da opressão, mudam-lhes o destino, mudam o que acontece, reveem a história, permitem o futuro".
"A um escritor, e a um escritor como Saramago, é dado fazer acontecer o seu próprio destino, que é contrário de um destino: pertencer ao sítio onde se nasceu, mas ir mais longe, trabalhar a palavra dos outros como tradutor ou a atualidade como jornalista e escrever textos seus que vão muito além da circunstância, chegar aparentemente tarde ao cânone e nele se integrar com uma força indesmentível e irresistível, escrever para os portugueses e atingir todo o mundo", prosseguiu.
O chefe de Estado assinalou o alcance da "palavra do escritor" que, "sendo individual, dirige-se a todos, e chega a muitos, muitos, muitos milhões", e realçou depois que a "palavra do Presidente", por sua vez, "representa muitos, alguns milhões", em nome dos quais atribuiu a Saramago a distinção póstuma com o mais alto grau da Ordem de Camões.
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