Morreu o escritor António Lobo Antunes
Tinha 83 anos.
Morreu, esta quinta-feira, António Lobo Antunes, um dos maiores nomes da literatura portuguesa desde a segunda metade do século XX, confirmou à Lusa fonte editorial. O escritor tinha 83 anos.
António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 01 de setembro de 1942. Licenciou-se em Medicina, pela Universidade de Lisboa em 1969, tendo-se especializado em Psiquiatria, que mais tarde exerceu no Hospital Miguel Bombarda. Optou pela escrita a tempo inteiro em 1985, para combater a depressão que dizia ser comum a todas as pessoas.
Em 2018, a Biliothèque de la Pléiade anunciou a publicação da obra completa de António Lobo Antunes. A Pléiade é uma prestigiada coleção francesa pertencente à editora Gallimard, que integra raros autores vivos e apenas um português, Fernando Pessoa
Em 2021, o escritor foi nomeado para o Prémio Literário Internacional de Dublin, com o livro "Até que as pedras se tornem mais leves que a água". A 10 de junho de 2025, António Lobo Antunes recebeu as insígnias da Grã-Cruz da Ordem de Camões, entregues pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
O seu primeiro livro, "Memória de Elefante", surgiu em 1979, logo seguido de "Os Cus de Judas", no mesmo ano, sucedendo-se "Conhecimento do Inferno", em 1980, e "Explicação dos Pássaros", em 1981, obras marcadas pela experiência da guerra e pelo exercício da Psiquiatria, que depressa o tornaram um dos autores mais lidos em Portugal.
A "Fado Alexandrino" (1983) e "Auto dos Danados" (1985), Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE), sucedeu-se "As naus", em 1988.
Vieram depois "Tratado das paixões da alma" (1990), "A ordem natural das coisas" (1992), "A morte de Carlos Gardel" (1994), "Manual dos inquisidores" (1996), "O Esplendor de Portugal" (1997) e "Exortação aos crocodilos" (1999), que lhe deu pela segunda vez o Grande Prémio de Romance da APE.
Numa bibliografia com perto de três dezenas de romances, cerca de metade surgiu nos últimos 25 anos, destacando-se títulos como "Não entres tão depressa nessa noite escura" (2000) e "Que farei quando tudo arde?" (2001), num percurso que culmina em obras como "Diccionario da linguagem das flores" (2020) e "O tamanho do mundo" (2022).
Pelo meio, surgiram vários volumes de "Livro de crónicas" e ainda o livro para crianças "A história do hidroavião" (1994), ilustrado pelo músico e amigo Vitorino.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt