Um cheiro a resistência no palco do Teatro Aberto
Espetáculo estará em cena até março de 2024, para ver de quarta a domingo.
Há um ator (João Pedro Vaz), que vem à boca de cena apresentar o cenário (que não está lá) e as personagens (em fundo, paradas). As palavras que profere são do escritor austríaco Peter Handke, que nos quer falar da sua família, de origem eslovena; da ocupação nazi, contra a qual os seus ascendentes lutaram; dos seus queridos mortos – derrubados pelas balas de um lado e do outro da barricada.
A peça, escrita antes de Handke ter ganhado o Nobel da Literatura, em 2019, chama-se ‘Tempestade Ainda’, e está em cena no Teatro Aberto, Lisboa, depois de ter feito furor nos palcos da Áustria e da Alemanha. Não há como estranhar. É uma homenagem a quem luta, a quem resiste mesmo em combates desiguais e até perante um inimigo que parece invencível. Do texto original, que a dramaturgista Vera San Payo de Lemos diz que “representado na íntegra deveria durar algumas dez horas”, foi escolhido o essencial para passar a mensagem: não há invencíveis, mas a vitória tem um sabor amargo.
“Os resistentes aos nazis na Caríntia, onde a ação decorre, foram perseguidos após a libertação”, explica João Lourenço. “E o Peter Handke, que é pessimista, mostra isso. Diz-nos que não voltará a haver geração assim. Capaz de lutar. Gostaria de pensar que não tem razão”, conclui. Carolina Picoito Pinto, Crista Alfaiate, Luís Barros, Manuel Sá Pessoa, Mia Henriques, Sérgio Praia e Susana Arrais no elenco.
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