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MICRONOVELA

Pandora O poder não se mostra. Usa-se.

Francisco Moita Flores: "Todos os policiais têm obrigação de surpreender o leitor"

Escritor volta ao género policial com 'Sangue e Silêncio no Poço dos Negros', que chega esta semana às livrarias.

10 de maio de 2026 às 01:30

Oito anos depois de publicar ‘O Mistério do Caso de Campolide’ (com ação a decorrer em 1937), Francisco Moita Flores volta aos policiais com ‘Sangue e Silêncio no Poço dos Negros’ (da mesma Casa das Letras). Desta feita, a ação decorre em 1969, quando Salazar – já depois da célebre queda da cadeira e de sofrer um AVC – vive recolhido no Palácio de São Bento, convencido de que ainda governa o País quando já foi substituído por Marcello Caetano.

“Logo após ter publicado o meu primeiro policial, fiquei com vontade voltar ao género, abordando outro ano.1969 pareceu-me interessante, porque foi um ano muito rico em acontecimentos”, revela o autor ao CM, admitindo que delineou a história “na cabeça” ao longo de um ano e que demorou outro tanto a vertê-la para o papel. “Saiu limpinho, tal como tinha imaginado”, conta. Na ação, um funcionário da Pide desloca-se todas as madrugadas a São Bento para entregar o jornal aos empregados de Saazar, que lhe leem as notícias evitando tudo o que possa perturbar a paz e ameaçar a ilusão em que vive o ditador. Um dia, após um aceso jogo de póquer, o funcionário é assassassinado. Francisco Moita Flores diz que a entrega dos jornais “é factual”, só o homicídio é filho da sua imaginação. Isso e o grupo de jogadores de póquer que se tornam suspeitos do crime. “Não percebo nada de póquer, mas fiquei impressionado com uma cena do filme ‘Casino Royale’ do 007. Tão intensa que procurei criar algo parecido no meu livro”, admite o autor. O desfecho – que é surpreendente – “como têm obrigação de ser todos os fins dos livros policiais” – é, também, estranhamente tranquilizador. “Propositadamente, fugi de criar um monstro”, nota o escritor, que agora, espera “ser lido”. “Este livro está um bocadinho fora do meu percurso literário, escrevi-o num registo simples e acessível e espero que as pessoas o leiam e que gostem. Nada me daria mais prazer”, conclui.

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