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A GUERRA DOS SEXOS EM VERSÃO CÓMICA E LIGEIRA

Por que é que os casamentos não dão certo e tantos acabam em divórcio? A acreditar em Mafalda Belmonte e Rute Moreira – que escreveram e acabam de estrear a peça ‘Eu Ligo-te’ no Cine Teatro do Casino Estoril – a resposta é bem simples: é que os homens não baixam a tampa da sanita e as mulheres compram demasiados pares de sapatos.

15 de junho de 2004 às 00:00

Sim, falamos da eterna guerra dos sexos, que continua a alimentar a imaginação de muito boa gente e que no palco do Casino Estoril nos chega materializada na voz e no corpo de actores bem conhecidos do grande público. No caso: Sofia Sá da Bandeira e Marcantónio DelCarlo, ao lado dos mais jovens Filomena Cautela e Alexandre da Silva, ‘descobertos’ pelas telenovelas nacionais.

SURPRESA

Apesar do carácter muito ligeiro do texto, há mérito nesta escrita que soube copiar (bem) o modelo de tantas e tantas ‘sitcoms’ americanas com que a televisão nos bombardeia constantemente e em que a dupla Belmonte/Moreira nitidamente se inspirou.

Sem ser uma peça brilhante, ‘Eu Ligo-te’ serve perfeitamente o fim a que se destina: faz rir quanto baste.

Aqui não há propriamente uma história com princípio, meio e fim para contar. Antes uma sucessão de momentos divertidos na vida de um casal que partilha o mesmo espaço há dez anos e que acusa o desgaste de uma década de discussões a propósito de tudo e de nada.

Entretanto, um outro casal, mais jovem e ainda na fase do engate, dá os primeiros passos a caminho da desgraça... Ou talvez não.

No fim do espectáculo, é inclusivamente sugerido que os dois casais possam ser o mesmo... Com dez anos de distância. Uma gracinha das autoras.

MULTIMÉDIA

Como a acção da peça decorre em muitos espaços diferentes – e na impossibilidade material de criar um aparelho cénico que mudasse rápida e facilmente – o encenador brasileiro Atílio Riccó optou por dar um toque multimédia a este espectáculo.

A projecção de imagens (reproduzindo ora uma sala, ora uma cozinha, ora um escritório, etc.) e de desenhos animados que ilustram a deslocação das personagens, acabam por funcionar como factores extra de entretenimento.

Quanto ao trabalho dos actores, ajuda bastante o facto de terem as vozes aumentadas por microfones invisíveis, permitindo-lhes manter um tom mais ou menos natural. O elenco masculino está bem – tanto o mais experiente Marcantónio DelCarlo como o novato Alexandre da Silva – mas a jovem Filomena Cautela tem de ter mais cuidado com a sua dicção e com a tendência para gritar em cena. Sofia Sá da Bandeira é, realmente, uma mulher bonita.

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