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MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

A HISTÓRIA DA COVA DA IRIA ESTÁ MUITO MAL CONTADA

Luís de Castro, publicitário, é com espírito crítico que aceita o mistério mas rejeita o milagre e foi de boa-fé que ficcionou Fátima. Amanhã nas livrarias.

29 de janeiro de 2004 às 00:00

Correio da Manhã – A editora define-lhe o romance como um thriller teológico. E o autor, como é que define este género?

Luís de Castro – Julgo que essa terminologia será um pequeno exercício de humor. O romance é com efeito um thriller, se por isso se entender uma narrativa construída em torno de um dispositivo de revelação gradual, numa atmosfera de mistério e suspense. E, de facto, o seu enigma central tem a ver com questões divinas, daí que o adjectivo teológico não seja desapropriado de todo... Eu limito-me a encarar ‘O Último Segredo de Fátima’ como um romance fantástico que integra no seu enredo uma certa dose de surpresa e acção.

– Porquê ficcionar Fátima?

– Por acaso, até julgo que a pergunta deveria ser ‘porque não ficcionar Fátima?’... Vejamos, querem convencer-nos de que Portugal foi palco de aparições, nem mais nem menos, da própria mãe de Cristo. Isto seria a intervenção divina mais significativa dos últimos 2000 anos. E teria acontecido há muito pouco tempo, aqui mesmo, neste país tão pequeno e pacato. O que me parece estranho é que um acontecimento tão tremendo não tenha atraído a atenção constante dos nossos ficcionistas.

– É um exercício de provocação ou a provocação vai ser efeito colateral?

– O livro não foi escrito nesse espírito de provocação. É um romance que aceita como certo que algo de sobrenatural tenha mesmo acontecido em 1917 mas prefere investigar outros caminhos e outras explicações, fugindo às lengalengas piedosas com que nos querem impingir à força a ‘verdade’ oficial da Igreja.Trata-se de um romance com uma história forte e personagens credíveis e não pretende de todo ser um panfleto de ataque a Fátima. Dado que a Igreja nos quer convencer de que Fátima é o ‘Altar do Mundo’, tem de se preparar para explicações menos ortodoxas do que ali se passou.

– Esta versão dos acontecimentos de 1917 que troca Deus pelo Diabo passa pelo estudo comparado entre o Bem e o Mal?

– É, simplesmente, uma forma de explorar um tema que sempre me interessou: as filosofias dualistas que vêem o mundo como um campo e batalha perpétuo entre o Bem e o Mal. E até o Evangelho segundo S. Mateus nos avisa: ‘Porque hão-de surgir falsos Cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os escolhidos’... Não creio nessa transcendência de Fátima. A história da Cova da Iria está muito mal contada. Trata-se de um embuste e nem sequer muito bem feito (...). Mesmo os aspectos teológicos das coléricas ameaças de guerra e sofrimento que a Virgem nos teria arremessado são incompatíveis com a mensagem de Salvação que Cristo nos trouxe. São raras as vozes na Igreja a dizer o óbvio: este rei vai nu. Uma figura como o Pe. Mário de Oliveira permanece a sós na sua coragem. Não interessa questionar a fábrica de dinheiro e crendice em que Fátima se transformou. Este é um dos rostos do Mal. Não do Bem.

Luís Miguel de Castro A. R. Moura nasceu em Julho de 1962 na Figueira da Foz, é casado e tem três filhos. Redactor publicitário, desde 1987, foi co-autor, com Nuno Ramos de Almeida, do programa da SIC ‘Filhos da Nação’ e autor do guião da curta-metragem ‘Dez Contos’ (em fase de produção). Escreveu ainda pequenas ficções, ‘Noites de Lisboa’, e contos, ‘Últimas Palavras’, sob o pseudónimo de Javier Ortega.

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