Mafalda Veiga vai apresentar as músicas de ‘Geografia Particular’, o EP que verá a luz do dia ainda este ano. Em entrevista, revelou que lugares são estes, onde nascem as músicas que figuram no GPS de cada um de nós.
‘Geografia Particular’ é o nome do espetáculo que apresenta día 6 no Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa, e também do EP que irá lançar ainda este ano. Este título tem a ver com os lugares que a marcaram?
Comecei a explorar este conceito depois de uma conversa com uma colega sobre a escrita de canções. É aquilo que fazemos e o que nos dá mais gozo e comentámos que, muitas vezes, mesmo que não nos lembremos da razão pela qual escrevemos uma determinada canção – isto porque as canções vêm com tantas histórias de outras pessoas que vai-se diluindo um bocadinho o motivo - lembramo-nos sempre do sítio onde estávamos quando escrevemos. Fica na memória. E foi a partir daí que comecei a pensar que todos nós – e não só os autores - temos um mapa único. Um GPS privativo que nos leva diretamente àqueles lugares onde mais ninguém pode ir de forma tão certeira. Aos lugares onde fomos felizes ou tristes, onde nos emocionámos. E esta geografia particular é, no fundo, a forma como este meu mapa interior e os meus lugares afetivos se transformam em música.
E é capaz de escrever em qualquer lugar, em qualquer situação?
Não há dia e hora para acontecer. Mas já mudei várias vezes de método. Houve uma altura, quando tinha 12 ou 13 anos, que escrevia onde quer que fosse: numa sala de aulas, por exemplo. Lembro-me de escrever a letra de uma canção dentro de um autocarro, a caminho da faculdade. Nos camarins, nas viagens para concertos. Mas atualmente prefiro escrever num sítio, nomeadamente na minha sala de ensaios, onde tenho as guitarras, os teclados, onde tenho o som. Prefiro que a inspiração não me apanhe em qualquer lado, mas de preferência enquanto estou a trabalhar! Creio que foi Picasso que o disse... e tinha muita razão!
É em Lisboa, esse lugar onde nascem as canções, ou no Alentejo?
É em Lisboa. Uma espécie de garagem, onde tenho os instrumentos e onde fica o equipamento que uso na estrada, e é onde gosto mais de estar a escrever.
E quando sai o EP?
Não tenho uma data certa ainda porque tenho estado a fazê-lo por single e a trabalhar com músicos diferentes e, inclusivamente, com produções diferentes.
Como será o espetáculo do próximo día 6, no Tivoli BBVA?
Vou tocar algumas das músicas antigas que as pessoas conhecem bem (escolhidas a dedo!), e que fazem parte desse meu mapa interior e - espero eu! - do mapa afetivo de muita gente que me ouve e que gosta do meu trabalho. Mas também vou apresentar canções inéditas, além daquelas que já estão editadas (‘Óscar’ e ‘Geografia Particular’). Estarei uma grande parte do espetáculo sozinha, mas em alguns momentos terei o acompanhamento de dois músicos em palco – António Vasconcelos Dias e João Gil. Porque nesta ‘Geografia Particular’ entra também o trabalho que faço com outros músicos e, apesar de ser um espetáculo a solo, onde vou mostrar as canções mais despidas, ainda sem arranjos, também quero ter companhia em alguns temas.
Como é estar em palco a solo? Não é aterrador?
De certa forma, estar em palco sozinha é mesmo uma novidade na minha carreira, pois até há bem pouco tempo tinha medo! Normalmente, fazia espetáculos com banda e, muitas vezes, eram bandas com uma formação grande. Por exemplo, nos Coliseus, no Campo Pequeno e muitas vezes até em salas mais pequenas optavam por levar bandas. Há poucos anos, porém, conseguiram convencer-me a perder o medo de estar no palco sozinha.
Como é que isso aconteceu? É o resultado da experiência adquirida?
Nem sei. Convenceram-me! Há imenso tempo que me diziam que os momentos em que tocava só com a viola resultavam muito bem, que as pessoas cantavam comigo e que ficava muito mais autêntico. O que é verdade, pois são momentos de partilha muito íntimos. É quase como estar a tocar em casa, com aquelas pessoas. É cantarmos juntos a mesma canção. Sentirmos todos a mesma coisa, partilhar o mesmo sentimento e isso é uma coisa incrível, uma emoção fortíssima, que só a música (entre todas as formas de arte) consegue. Depois houve uma altura mais específica, em que ia comprar uma guitarra, uma Telecaster azul, e disseram-me: "então já que vais comprar essa guitarra dessas, porque não aproveitas e não começas a preparar esse espetáculo só tu?". E, de certa forma, foi essa Telecaster azul que me fez escrever o meu primeiro espetáculo a solo, que se chamou ‘Crónicas da Intimidade de uma Guitarra Azul’. Era só eu e a guitarra, com alguns ‘loops’ que disparava a vivo.
Nos dois novos temas, ‘Óscar’ e ‘Geografia Particular’, conta com a participação de dois músicos e produtores de relevo da mais recente geração, Agir e Nelson Carvalho. Como aconteceu esta ligação?
Tenho trabalhado sempre com pessoas de todas as idades. Quando comecei a fazer música também trabalhava com pessoas mais velhas do que eu. Na música não há essa coisa da faixa etária. Trabalho e sou convidada para trabalhar com gente de qualquer idade, porque o que me interessa é o que podem acrescentar. Trabalho com a Ana Bacalhau, com a Joana Espadinha, por exemplo. Essa barreira da idade não cabe aqui. A música é um território intemporal, sem idade.
A Mafalda é de uma geração em que eram poucas as mulheres, em Portugal, a fazer música. O panorama mudou para melhor?
Mudou para muito melhor. Era a mentalidade portuguesa: achava-se que fazer música era uma coisa tão de risco... faltavam mulheres e o meio era machista e dominado por homens. Era preciso o triplo do rigor e do esforço para nos impormos perante aquele mundo tão patriarcal. Foi preciso muita persistência e vontade para continuar a fazer o meu trabalho estes anos todos - e já são 35. As mulheres fazem falta na música com o destaque e da forma que temos hoje.
Tem um filho da mesma idade que muitos destes seus colegas. Ele está de alguma forma ligado ao meio?
Não, ele estudou bateria até aos 16 ou 17 anos, toca guitarra, mas não é isto que ele quer fazer na vida, por muito que eu adorasse!
E foi fácil ser mãe e artista?
Em Portugal, quando não se tem a família perto, não é fácil. Socialmente é exigido que sejam as mães a ocupar-se da maior parte das situações e é preciso fazer um esforço muito grande para criar uma rotina e conseguir criar um filho de uma forma boa e saudável.
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