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Correio da Manhã

Cultura
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Alcione revela em entrevista: “O meu primeiro fã foi um português”

Gosta de fado, Mariza e Amália e diz que, quando pode, faz sempre uma vista a Fátima.
Miguel Azevedo 28 de Janeiro de 2020 às 08:54
Alcione
alcione, música, coliseu dos recreios
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Correio da Manhã – O que está a preparar para este espetáculo que vai trazer a Portugal em fevereiro?

Alcione – Será um espetáculo muito especial com alguns dos meus sucessos e algumas surpresas, incluindo a nova canção que estará no meu próximo álbum de inéditos, ‘Fascínio’, de Toninho Geraes e Paulinho Rezende.

CM - Como é a sua relação com Portugal?

Alcione - Estive em Portugal pela última vez em setembro de 2017, mas não posso ficar tanto tempo longe. Morro de saudades! Amo visitar o Santuário de Fátima. Quando tenho tempo, é paragem obrigatória. Adoro ouvir Fado, nas vozes da grande Amália Rodrigues e da Mariza. Tive o privilégio de conhecer e cantar com a Carminho num espetáculo de verão da Mangueira.

CM - É verdade que uma das primeiras canções que cantou em público foi o ‘Ai, Mouraria’, da Amália Rodrigues?

Alcione - Sim. Cantava no quintal de casa, ainda no Maranhão, a pedido do meu vizinho, sr. Fernando, que era português... Foi meu primeiro fã!

CM - A caminho dos 50 anos de carreira é uma artista feliz e realizada?

Alcione - Muito feliz, mas sempre com planos e sonhos. Não é do meu feitio a palavra acomodação...

CM- Qual é a memória mais presente e mais viva que tem do início da sua carreira?

Alcione - Uma das lembranças mais importantes e remotas vem dos tempos em que, de vez em quando, cantava com a banda de música regida pelo meu pai, em São Luís. Ainda amadoristicamente. Mas sonhando em vir para o sul para tentar me lançar como cantora.

CM - Aos 72 anos, que prazer é que ainda retira do palco?

Alcione - Todos! O palco é meu templo sagrado. Amo cantar, e agradeço a Deus por ter me concedido tal missão.

CM - Como está a ver a escolha de Regina Duarte para a secretaria da Cultura no Brasil?

Alcione - Como ela disse, "será para pacificar os dois lados: governo e Cultura". Se for assim, acho ótimo. É bom ter alguém do meio artístico na Cultura.

PERFIL 
Alcione Dias Nazareth nasceu em São Luís, no Maranhão, Brasil, a 21 de novembro de 1947. Filha de um policia e professor de música, foi com ele que aprendeu a tocar diversos instrumentos de sopro, entre os quais trompete.

Tocou pela primeira vez em público aos 12 anos, na Orquestra Jazz Guarani, regida pelo seu pai, mas um dia teve de substituir o cantor, que ficou rouco. Gravou o seu primeiro disco, ‘A Voz do Samba’, em 1975. Um tumor nas cordas vocais quase a afastou da música. Venceu um Grammy em 2003.

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