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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Arma do humor usada para brincar à ditadura (COM TRAILER)

Depois do segundo melhor jornalista do Cazaquistão e do modelo gay austríaco, que mais faltava a Sacha Baron Cohen? Gozar a torto e a direito com as Nações opressoras, o terrorismo, os Estados Unidos da América na conjuntura global… e tudo o resto.

16 de maio de 2012 às 01:00

‘O Ditador’, que chega esta quinta-feira aos cinemas, chega sob o signo do humor corrosivo, com Cohen a apostar na sátira mordaz, a espaços ofensiva e escatológica, mais episódica do que devia.

Depois de ‘Borat’ e ‘Bruno’, o actor que adora incorporar personagens até ao limite da exaustão cómica é agora o general ‘Alladeen’, líder despótico de uma nação inventada, Wadiya. No início da acção, ele é rei e senhor da sua terra, obcecado com os bicos dos seus mísseis e sempre acompanhado por muitas mulheres.

A acção sofre uma reviravolta (in)esperada, quando o líder é alvo de uma conspiração para o afastar em nome dos interesses petrolíferos, com o seu braço direito (um pouco entusiasmante Ben Kingsley) a passar-lhe a perna numa visita forçada aos EUA e colocando um duplo pouco dado à inteligência no seu lugar.

Sem barba, ‘O Ditador’ sente-se nu e vai ter de partir do zero para assegurar que a sua nação mantém a sua identidade... repressiva.

A premissa é simples e prometedora, mas Sacha Baron Cohen falha mais piadas do que era suposto nesta comédia muito dada aos excessos. Já sem recorrer aos trunfos das suas duas comédias anteriores – que passavam pela inclusão de figuras reais em situações de embaraçosos ‘apanhados’ –, resta ao protagonista levar a sua nova ‘persona’ até ao limite.

Se há cenas delirantes, como a colecção de fotografias de estrelas de cinema que ‘O Ditador’ acumula no seu quarto, a descrição de uns Jogos Olímpicos adulterados, a descoberta da masturbação e o discurso-chave sobre o estado da América, a personagem reincide na piada explícita e primária, criando algum incómodo – como a desnecessária cena romântica durante um parto ou a previsível sequência no helicóptero.

Cohen continua a defender com unhas e dentes aquilo que faz e a sua entrega merece alguma consideração. Mas a direcção de Larry Charles entusiasma pouco.

Resta o estilo politicamente incorrecto, porque a acção de ‘O Ditador’ apenas serve para engrandecer uma nova figura que Cohen vai colocar na sua galeria de cromos. Eficaz, delirante, mas furos abaixo das anteriores.

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