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MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

AS NOSSAS MIÚDAS DA PESADA

As Black Widows são a única banda de heavy metal feminina no nosso País. Rute, vocalista, guitarrista e principal letrista do grupo explica como é ser mulher num universo dominado por homens e fala do disco de estreia, “Sweet... The Hell”:

10 de dezembro de 2002 às 00:01

Correio da Manhã - As Black Widows são, seguramente, a única banda de heavy metal feminina portuguesa, senão mesmo europeia. É fácil moverem-se num meio em que os homens são “reis e senhores”?

Rute - Às vezes é complicado, outras até tem vantagens. O facto de sermos mulheres faz com que chamemos mais facilmente a atenção sobre o nosso trabalho. Mas, na verdade, é um universo dominado por homens. O que acontece é que temos de lutar e trabalhar muito mais do que eles para provar o que somos e termos credibilidade. Isso faz-me recordar uma frase que Sarah Jezebel Diva, que faz a voz para os Cradle of Filth, tem no “site” oficial e que foi dita por um homem: “Não tenho confiança em nenhum ser humano que sangre cinco dias por mês e mesmo assim continue vivo”... isso reflecte a falta de confiança nas mulheres mas também a mística sedutora que têm sobre os homens.

Porque optaram por lançar um EP, “Dark Side Of An Angel”, como registo de estreia?

- O EP funcionou como uma espécie de cartão de visita da banda. O objectivo era dar a conhecer o grupo e não teve qualquer intuito comercial.

Só após o lançamento desse EP é que as Black Widows começaram a compor o álbum de estreia, “Sweet... The Hell”. Quais foram as principais alterações sonoras?

- A nível de sonoridade, pode dizer-se que o álbum é mais pesado, porque as guitarras foram dobradas, ou seja, gravadas em duas pistas. Também houve um amadurecimento, porque os elementos da banda conseguiram criar uma boa coesão. Por outro lado, o EP ainda trazia uma componente criativa do antigo alinhamento das Black Widows, enquanto o álbum já reflecte a cem por cento a actual formação.

É fácil colocar vozes femininas, ora guturais ora melódicas, na música pesada?

- Isso é algo que sai muito espontaneamente. As nossas músicas têm ambiências muito variadas, consoante as quais o registo vocal é adaptado e por isso é tão diversificado também.

Quais são as vossas principais influências musicais?

- Cada elemento da banda tem referências diferentes, que vão desde os Suicidal Tendencies aos Death, passando por Candlemass, Nightwish e Moonspell. Isso faz com que uma canção tenha elementos sonoros distintos: por exemplo, um ritmo hardcore, teclados góticos e uma guitarra melódica.

E quais as temáticas dominantes nas vossas canções?

- As nossas letras são muito metafóricas... nada é dito directamente. Mas tanto falamos de coisas mais obscuras como a morte, talvez por causa de termos sofrido a perda da nossa teclista, a Carla, como de assuntos mais banais como o amor ou a amizade. E também temos temas que incutem uma certa força e esperança.

Chegou a dizer-se que as Black Widows eram uma banda cristã, o que chegou a suscitar alguma estranheza no meio...

- Sei que existe uma certa confusão nesse aspecto, talvez porque a banda tenha surgido numa altura em que o black metal estava na moda. Eu sou cristã e, como tal, posso falar das coisas em que acredito na minha música. Mas não quer dizer que os outros membros da banda tenham exactamente as mesmas crenças que eu ou que isso faça das Black Widows uma banda cristã.

Com idades compreendidas entre os 22 e os 28 anos, as Black Widows - Rute (voz e guitarra), Cláudia (baixo), Chris (bateria) e Marta (teclas) - surgiram em Setembro de 1995 e gravaram a primeira “demo tape” em Dezembro do ano seguinte. A morte precoce da teclista Carla Marques precipitou uma mudança de formação e a banda só ressurgiu em 2001, ao fazer a primeira parte do concerto de King Diamond e através da edição do EP “Dark Side Of An Angel”.

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