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"As pessoas sempre viram na minha música um cartão de visita para Angola": Paulo Flores ao vivo no Porto e Lisboa

Músico, de 53 anos, atua este sábado na Casa da Música e dia 5 no Coliseu dos Recreios.

27 de fevereiro de 2026 às 01:30

Ele é uma das maiores lendas vivas da música angolana e uma das vozes mais poderosas da lusofonia. A cumprir 38 anos de carreira, Paulo Flores sobe este sábado ao palco da Casa da Música, no Porto e dia 5 atua no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. O músico, de 53 anos, promete dois concertos de "agradecimento ao publico" que sempre lhe serviu de "inspiração" e garante recordar "as canções de uma vida", das primeiras que fez ainda com 16 anos até às mais recentes. "É uma proposta para viajar no universo da minha musicalidade com todas as emoções e afetos que vêm com ela". Em destaque estará o seu mais recente trabalho 'Canções que fiz Pra Quem me Ama'.

Para o palco da Casa da Música e do Coliseu do Porto, o músico leva também, inevitavelmente, todas as suas memórias, desde os primeiros contactos com a música ainda em Cazenga, perto de Luanda onde nasceu, até ao arranque da carreira já em Portugal, aos 16 anos. "O meu pai, o meu grande impulsionador, era discotequeiro e tinha milhares de discos em casa, de toda a parte do mundo. Então, eu punha-os a tocar e cantava por cima. Acho que foi aí que nasceu o bichinho", explica o cantor que recorda que também tinha  "um avô materno, que era de Macedo de Cavaleiro, de Trás os Montes, e que tocava guitarra portuguesa" e "uma bisavó que nos anos 60 já fazia marchas para o Carnaval do Lobito. Por isso a música está nos genes da família".

Reconhecendo que "ao início fazia música para desabafar", que "não tinha qualquer pretensão a ser famoso" e que "não percebia como é que as pessoas podiam vir a gostar" da sua música, a vida mudou quando lançou o primeiro disco em Portugal, em 1988, então produzido pelo próprio pai. Na altura, a música angolana começava um percurso de ascensão em Portugal. "Muito do que hoje chamamos de kizomba nasceu comigo, com o Eduardo Paim e o Ruca Van-Dunem no final dos anos 80", diz. Na memória está ainda o primeiro concerto, no Verão de 1989 na Aula Magna, em Lisboa. "Eu estava em pânico porque nessa noite tocavam também o Paulino Vieira e os Tubarões. Estava portanto no meio de dois monstros da música africana. Numa altura em que havia ainda uma insegurança muito grande da minha parte, o meu pai teve que ligar a uma namorada que eu tinha e foi ela que me convencer a aparecer", recorda entre risos. Mas o sucesso foi tanto, que durante a década que se seguiu chegou a dar 80 concertos por ano.  Acho que as pessoas sempre viram na minha música um cartão de visita para Angola. 

Com quase duas dezenas de discos lançados na carreira, Paulo Flores revela que tem mais dois em carteira, "um álbum de fados, mornas, canções de amor e lamentos de Angola" e outro de "duetos a ser preparado para 2028 quando assinalar 40 anos de carreira".  

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