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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Assembleia Municipal de Lisboa quer museu das Marchas Populares e do Teatro de Revista no Parque Mayer

Proposta do PS acolheu contributos do PSD para que o equipamento museológico inclua também o Teatro de Revista.

28 de maio de 2026 às 19:22

A Assembleia Municipal de Lisboa defendeu esta quinta-feira a construção de um museu das Marchas Populares no Parque Mayer, recomendação proposta pelo PS que acolheu contributos do PSD para que o equipamento museológico inclua também o Teatro de Revista.

"Lisboa deve às Marchas Populares muito mais do que aplausos em junho. Deve-lhes reconhecimento, preservação e futuro", afirmou o deputado do PS Jorge Marques, na apresentação da recomendação por um museu das Marchas Populares no Parque Mayer, dirigida à Câmara Municipal, sob presidência de Carlos Moedas (PSD).

Para o PS, ter um museu das Marchas Populares de Lisboa "permitirá preservar e divulgar este património material e imaterial", com a recolha de documentos, fotografias, figurinos, músicas, testemunhos, cartazes e até memórias, bem como "estudar a evolução das marchas" e compreender a ligação aos bairros, às coletividades e às transformações sociais e urbanas da cidade.

Sobre a escolha do local para o museu, o socialista Jorge Marques sublinhou que o Parque Mayer é "um espaço emblemático" da história cultural de Lisboa, profundamente ligado ao Teatro de Revista, à cultura popular e à vida artística da cidade, defendendo que instalar ali o Museu das Marchas Populares é juntar uma nova função cultural, capaz de atrair novos públicos e reforçar a identidade enquanto polo cultural.

A deputada do PSD Filipa Veiga, que é também presidente da Junta de Freguesia de Santo António, onde se localiza o Parque Mayer, considerado "o grande laboratório da cultura popular lisboeta do século XX", saudou a recomendação do PS pela criação de um museu das Marchas Populares, mas realçou a importância de incluir também o Teatro de Revista.

"Valorizar uma sem dignificar a outra é amputar a memória cultural de Lisboa", reforçou a autarca do PSD, considerando que a recomendação do PS surge com "um evidente sentido de oportunidade político", por coincidir com o arranque das festas da cidade e com o desfile das Marchas Populares na Avenida da Liberdade na noite de 12 para 13 de junho.

Filipa Veiga acusou ainda o PS de "ignorar" que já em 2015 a freguesia de Santo António apresentou uma visão integrada para o futuro do Parque Mayer, prevendo a instalação do Museu do Teatro e da Revista, com a integração das Marchas Populares, mas o então executivo municipal, presidido pelo socialista Fernando Medina, "nada fez para concretizar esta ambição ou para dinamizar o Parque Mayer".

Também do PSD, Américo Vitorino propôs ao PS alterações à recomendação para a criação de um museu que inclua o Teatro de Revista, além das Marchas Populares, o que foi aceite pela bancada socialista, com o eleito do PS Jorge Marques a considerar "um excelente contributo" e a enaltecer "um largo consenso" relativamente à proposta.

A recomendação foi aprovada com os votos contra do Chega e a abstenção de Livre e CDS-PP.

Justificando o voto contra do Chega, a deputada Érica Ricardo acusou o PS de "populismo" e de falta de "honestidade política e histórica" sobre as Marchas Populares de Lisboa, que nasceram em 1932 no Teatro Capitólio, no Parque Mayer, como "um dos cartazes culturais do Estado Novo", e criticou a ausência de informação sobre "onde exatamente se constrói este museu, quanto custa e quem paga".

Em alternativa, a deputada propôs uma parceria formal com o Museu Nacional do Traje para estudar a criação de uma ala permanente dedicada aos figurinos, adereços e memória histórica das Marchas Populares.

Do Livre, João Monteiro defendeu que a preservação deste património "pode ser assegurada de forma eficaz e menos dispendiosa através de um espaço evocativo ou de um centro interpretativo integrado na rede do Museu de Lisboa".

Considerando "uma ideia interessante" ter um museu das Marchas Populares, o deputado do CDS-PP Francisco Camacho manifestou "sérias reservas", argumentando que "é precipitado" determinar já a instalação no Parque Mayer.

Da IL, Pedro Bugarin disse que "o Parque Mayer é seguramente o local ideal" para um museu das Marchas Populares e do Teatro de Revista, estando há muitos anos a aguardar um processo de requalificação", e criticou o Chega por "gostar muito de politizar a cultura", ao dizer que as Marchas são uma criação do Estado Novo.

Nesta sessão, foi também aprovada uma moção do CDS-PP de pesar e solidariedade pelas vítimas da sinistralidade rodoviária, ponto que teve unanimidade, e saúda o Governo pelas "medidas estratégicas anunciadas no domínio da segurança rodoviária", com a abstenção de BE, Chega e IL.

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