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Balada triste para a cantora ‘Cândida’

Cândida Branca Flor suicidou-se há uma década, aos 51 anos. Para lembrar a sua carreira, homeagear a vida dos artistas em geral e recordar o início da era ‘cor-de-rosa’ – e não só em termos musicais – a Cassefaz estreia esta noite, às 21h30, na Sala Azul do Teatro Aberto, em Lisboa, ‘Cândida – Uma História Portuguesa’.

14 de setembro de 2011 às 00:30

A peça, encomendada a André Murraças, não procura ser exaustiva nos dados biográficos da cantora, até porque dela se conhece pouco. “Consultei jornais e revistas de época e falei com profissionais que se cruzaram com ela, mas a Cândida não alimentava relações. Vivia muito em função do marido, que era também o seu agente artístico”, conta-nos o autor, assumindo a liberdade da sua pena e explicando que teve, desde o primeiro momento, a intenção de escrever “o oposto de um musical”.

Em cena, Sílvia Filipe – no primeiro monólogo da sua carreira e dirigida por Paulo Ferreira – canta duas canções (nenhuma de Cândida Branca Flor) e faz um play-back de ‘Trocas e Baldrocas’. O resto, apesar do camarim cor-de-rosa em que a acção decorre (o cenário e os figurinos são vincadamente kitsch), em vésperas do Festival da Canção de 1982, “não tem alegria nem leveza”, diz o autor.

"Usei a Cândida Branca Flor como pretexto para falar de ícones, destas pessoas que vivem da imagem e de quem conhecemos tão pouco para além da máscara”, acrescenta André Murraças. “E quis também falar sobre o meio artístico e de como era, nos anos 80, tão diferente do de hoje. Na altura em que a Cândida Branca Flor estava a lutar para singrar era muito mais difícil ser famoso do que agora… Mas agradou-me escrever sobre a vida estranha e peculiar desta mulher,” remata.

Quanto a Sílvia Filipe, admite que ficou surpreendida com o convite para interpretar uma mulher de quem sabia tão pouco e cuja carreira “não acompanhou”. “Ri-me imenso… Mas porquê eu? Nem sequer sou loura… Mas adorei o desafio, claro”, conta, acrescentanto que o trabalho se revelou muito exigente.

“Fazer um monólogo é realmente duro e solitário e muitas vezes, quando me sinto a afundar, sei que tenho de me salvar sozinha. Mas aqui há outro desafio: o de procurar a profundidade desta mulher, de procurar, para além da imagem, as suas inseguranças e fragilidades.”

O espectáculo, que tem encenação conjunta de André Murraças e Paulo Ferreira e a participação especial de Guilherme Filipe, é para ver no Teatro Aberto até 2 de Outubro, de quarta a sábado às 21h30, domingos às 16h00.

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