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MICRONOVELA

Pandora O poder não se mostra. Usa-se.

Canto alentejano para o Guinness

Ao romper da bela aurora de ontem – o Dia do Canto – começou o desfile de 50 grupos corais alentejanos pelas ruas de Beja. O objectivo era, no final da parada, os 1000 participantes reunirem-se na Praça da República para cantar, a uma só voz e durante cinco minutos ‘Alentejo’, um dos mais populares temas do cancioneiro nacional, para entrar no Livro Guinness dos Recordes.

21 de maio de 2006 às 00:00

Provenientes do Baixo Alentejo e da margem Sul do Tejo, eram centenas os representantes da diáspora alentejana, cujo membros asseguram que o mais importante é mesmo a promoção que a iniciativa pode trazer ao canto.

“O melhor é o tempo que passamos juntos quando nos encontramos pelo País. A iniciativa de hoje poderá trazer alguma projecção, visto que já poucos são os interessados nesta arte”, assegura Joaquim Brás, membro do Vozes de Almodôvar, que defende ainda que o canto alentejano devia ser ensinado nas escolas para que não se perca uma das mais profundas manifestações da cultura alentejana.

Para a organização do Dia do Canto, e simultaneamente da tentativa de recorde, diz o Inatel de Beja, mais importante do que entrar para Guinness é o convívio entre os grupos corais. “Lembrámo-nos de apresentar esta candidatura, pois não tínhamos conhecimento de nenhum recorde do género, mas o mais importante é o convívio e o intercâmbio de experiências”, disse ao CM António Collaço, delegado do Inatel.

Resta agora aguardar a decisão da comissão que avalia a iniciativa e a publicação no mais famoso registo de recordes mundial. “A candidatura foi aceite. Não existe outro recorde do género pelo que, em princípio, é só questão de tempo”, frisou.

Quem tem o canto alentejano como ‘hobby’ assegura que não é qualquer um que o pode cantar. Outros acreditam que se trata de uma capacidade hereditária.

“Desde muito novo que, com o meu pai, ouvia o canto ser interpretado nas tascas na sua forma mais pura, e é daí que me vem a paixão”, confessou Paulo Colaço do Grupo de Cantares do Baixo Alentejo, de Alverca, que participou no evento.

AÇORDA PARA DOIS MIL

Mas a organização resolveu tentar ‘o dois em um’ e, para além do canto, candidatou ao Livro Guinness o almoço que se seguiu ao esforço – cerca de duas mil pessoas degustaram uma típica açorda alentejana.

O gigantesco prato foi confeccionado com mais de 350 kgs de bacalhau e 750 pães alentejanos. Todavia, aqui o recorde visa o maior número possível de pessoas a comer o mesmo prato.

MUITO TRABALHO E DEDICAÇÃO

JOSÉ RITA

O cantar alentejano é de uma riqueza enorme. Este recorde vai ser muito bom pois vai dar projecção e fazer com que isto não morra tão depressa. Mas não pensem que é fácil. É preciso muito trabalho e dedicação.

CRISTINA FRANCO

Sou das poucas mulheres, mas adoro o que faço. Desde pequena que canto e, às vezes, até tinha que fugir da minha mãe porque cantava em vez de trabalhar. Este encontro é maravilhoso. Deviam fazer mais.

JOSÉ SEBASTIÃO

Os Mineiros de Aljustrel cantam a vida de trabalho nas minas e tudo o que respeita ao Alentejo. É uma óptima divulgação que fazem à nossa arte. Pode ser que assim atraiam os mais novos.

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