Trabalhadores da Casa da Música convocaram uma greve de 11 a 16 de maio, exigindo a revisão "urgente" do modelo de carreiras.
O Conselho de Administração da Fundação Casa da Música defendeu esta segunda-feira que a aplicação do novo modelo de carreiras levou ao "maior aumento salarial na história" da instituição, algo contestado pelos trabalhadores que convocaram uma greve para este mês.
Num comunicado enviado à Lusa, o Conselho de Administração da Casa da Música (CdM) refere que "a implementação do modelo de carreiras traduziu-se no maior aumento salarial na história da Fundação, com um aumento médio global de 5,1%", sendo que "esta fase inicial permitiu uma valorização remuneratória concreta, com aumentos salariais efetivos na maioria dos casos situando-se, em média, acima dos 100 euros, evidenciando um esforço financeiro relevante e direcionado às carreiras mais técnicas".
O Sindicato dos Trabalhadores de Espectáculos, do Audiovisual e dos Músicos (Cena-STE), que considera o novo modelo de carreiras da CdM "absurdo, discriminatório e mal desenhado, com critérios opacos", alega que a "imposição unilateral" do modelo "foi feita com o anúncio de grandes aumentos", mas "vários trabalhadores tiveram aumento zero em relação a 2025, e outros pouco mais de zero".
Os trabalhadores da Casa da Música convocaram uma greve de 11 a 16 de maio, exigindo a revisão "urgente" do modelo de carreiras, que alegam ter sido "instituído unilateralmente" pela Administração.
O pré-aviso de greve abrange "todo o trabalho, em todos os turnos, em território nacional, nas instalações ou em exteriores", na Fundação Casa da Música e todos os trabalhadores com exceção dos músicos da Orquestra Sinfónica.
A Administração "reconhece a qualidade, o empenho e dedicação dos trabalhadores da instituição e não partilha a visão negativa relativa ao desempenho da Casa da Música referida pelo Sindicato", lê-se no comunicado, no qual se defende que "a qualidade do trabalho realizado pela instituição tem sido reconhecida pelo público que aflui aos seus espetáculos e atividades, pela crítica e por instituições parceiras que permitem afirmar a Casa da Música como instituição de relevo no espaço cultural e educativo internacional".
O Cena-STE, por sua vez, considera que a Casa da Música se encontra "num estado caótico a vários níveis", sendo "a saída de talentos constante", "as equipas desconsideradas", e "a missão cultural ressente-se".
"Tem sido administrada com falta de noções de gestão cultural, autoritarismo e um desrespeito profundo pelos trabalhadores", alega o sindicato.
Os trabalhadores exigem a revisão urgente do modelo de carreiras instituído unilateralmente, defendendo que esta seja "realizada em negociação que resulte num acordo com as estruturas representativas dos trabalhadores (Comissão de Trabalhadores (CT) e representantes sindicais)".
O Conselho de Administração alega que o novo modelo de carreiras resulta de "um processo longo de identificação e caracterização das funções e estrutura de funcionamento da Casa da Música", que foi apresentado ao Sindicato e à CT.
"O Conselho de Administração também manifestou abertura, interesse e vontade para negociar o ajuste do Modelo de Carreiras nas dinâmicas naturais que decorrem da sua implementação. Há canais de comunicação abertos para melhorar e qualificar este modelo", assegura.
Com a revisão do modelo de carreiras, os trabalhadores querem, entre outros, "anular os reposicionamentos de trabalhadores em categorias profissionais recém-criadas e que correspondam a despromoções ou posicionamento em carreiras mais desfavoráveis", assim como que haja uma "diminuição substancial das diferenças entre os salários de base e os salários de topo".
O sindicato alega que o novo modelo "trouxe um grande número de despromoções para categorias inferiores, sem qualquer explicação nem aviso prévio, de modo a travar as respetivas evoluções salariais", e "colocou nos níveis iniciais de carreira trabalhadores com 20 e mais anos de profissão, com o aviso de que só poderão passar a níveis seguintes mediante avaliações de desempenho futuras - apagando assim toda a carreira e experiência profissional passada".
Segundo o Cena-STE, o modelo "pretende fixar as diferenças salariais chocantes que têm manchado a Casa da Música, sendo possível que alguns trabalhadores entrem nos quadros a ganhar 10% do salário do administrador-delegado e 20% dos cargos de direção", e "comprime 80% dos trabalhadores na metade menos vantajosa da tabela salarial".
Os trabalhadores exigem também a "defesa do projeto da Fundação Casa da Música, perante a deterioração a que tem estado sujeito em resultado da desvalorização dos seus recursos humanos e dos problemas e insuficiências potencialmente gerados pela forma como foi instituído o modelo de carreiras em causa".
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