Diva do fado, ícone da moda. Amália Rodrigues criou a imagem da fadista vestida de negro, mas tinha um gosto eclético que aparece refletido nos vestidos, joias e sapatos que ainda habitam a casa onde viveu.
Diva do fado, ícone da moda. Amália Rodrigues criou a imagem da fadista vestida de negro, mas tinha um gosto eclético que aparece refletido nos vestidos, joias e sapatos que ainda habitam a casa onde viveu.
Amália era uma mulher elegante, de gostos requintados, dotada de uma silhueta atraente e, embora não fosse muito alta, sabia tirar partido dela.
"Muitas pessoas têm a ideia de que a Amália era alta, mas isso era graças aos sapatos com plataforma que os vestidos compridos tapavam. Tinha 1,58 metros, mas tinha estes truques. Mandava fazer os vestidos com a cintura descaída para alongar a silhueta", explica Mariana Gonçalves, investigadora da Casa-Museu Amália Rodrigues, que conhece bem a relação de Amália com a moda.
Amália trabalhou com estilistas como Teresa Mimoso, Pinto de Campos e Ana Maravilhas e foi no ateliê de alta costura desta última que conheceu a modista Ilda Aleixo, em 1967.
1 / 17
A senhora Ilda, como é carinhosamente tratada na Residência Sénior de Sant’Ana, em Oliveira do Hospital, recorda com graça o momento em que conheceu Amália e lembra-a como uma mulher inteligente e encantadora.
"Trabalhava num atelier… até que um dia a Amália foi lá fazer um vestido. A Amália era um ano mais velha do que eu, mas naquela data estávamos as duas com a mesma idade. Foi aí que nos conhecemos", conta.
"Era uma coisa complicada, porque a Amália era mais baixa do que eu, portanto, os sapatos tinham que ser altos. Era preciso haver a consciência de que se ela usava aqueles sapatos. Tinha uma saia muito grande e o corpo muito pequeno, ficava desequilibrado. Fiz um molde só para ela, para que lhe ficasse perfeito", revela a modista, com saudade e orgulho evidentes no olhar.
Fiz um molde [de vestido] só para Amália, para que lhe ficasse perfeito
Ilda confecionou vestidos para a fadista enquanto trabalhava para a estilista Ana Maravilhas e, em finais dos anos 80, quando o ateliê fechou, Amália convidou-a a trabalhar só para si. Amália idealizava, Ilda concretizava: "Ela fazia os vestidos consoante o que a Amália queria", sublinha Mariana Gonçalves, investigadora da Casa-Museu. Muitos dos vestidos sumptuosos que Amália envergou nos últimos anos de carreira tinham o corte de Ilda Aleixo.
Na comemoração dos 50 anos de carreira, em 1990, Amália usou três vestidos, um deles era totalmente negro, uma das suas imagens de marca. "A Amália trouxe o negro para o fado. Antes de Amália usava-se uma camisa colorida com um xaile. Fora de Portugal, ela usava muitos vestidos coloridos", explica a investigadora. Para esta ocasião, a fadista mandou fazer o vestido negro, um vestido em forma de combinação com saia vermelha e um vestido cor de rosa.
Ficaram alguns vestidos inacabados, outros, Amália mandava fazer e não chegava a usar. É o caso de um vestido branco com rendas, que nunca chegou a usar em palco, porque assim que o vestiu achou que parecia uma noiva. Há fotografias suas com o vestido, em casa.
Ilda Aleixo foi modista de Amália durante 30 anos
JOIAS VALIOSAS, PERDIDAS E "BUGIGANGAS"
As joias assumiram um papel preponderante na vida de Amália: adorava-as, quer fossem bugigangas ou verdadeiras. Tinha gavetas e gavetas cheias de pulseiras, brincos, alfinetes de dama, colares compridos. As joias mais valiosas, essas, estão no banco.
"As joias [de Amália] são todas muito brilhantes e dão sempre muito bem com os vestidos. No dia a dia, Amália usava joias 'aciganadas' como ela gostava de lhes chamar. A cor e os brilhos eram indispensáveis. E também adorava a cultura espanhola, inspirava-se muito nela para os seus vestidos", explica Mariana Gonçalves.
As peças mais memoráveis foram recriadas pela ourivesaria Ouronor, da Póvoa de Lanhoso, com um desafio que começou em 2008 e se tornou uma paixão em 2010, nas palavras de Aida Maria, responsável da marca. Entre as joias mais icónicas estão os chamados brincos da deusa – oferecidos pelo marido, César Seabra, antes de se casarem, no hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, em 1961 – ou o alfinete de estrela, que perdeu em Paris e que só descansou quando a equipa o encontrou.
1 / 3
"Ela usava as joias de uma maneira que, até àquele momento, não era comum (…) para além disso, naquela altura, as joias estavam muito confinadas ao tradicional português, e ela – à medida que o seu gosto se foi aperfeiçoando – foi adquirindo joias quer no mercado nacional, quer no internacional", revela Aida
"Até ali, as pessoas usavam joias para dizer que tinham poder, mas não se preocupavam muito com a beleza. Amália veio alterar esse conceito. A joia passou a ser um complemento muito grande da personalidade da mulher. Através das suas joias, Amália transmitia a mulher contemporânea que era", conclui a responsável pela Ouronor.
Há muitas histórias ligadas às joias de Amália e Aida vai mais longe, dizendo que foi Amália que mudou a forma como as mulheres, na época, usavam as joias.
SAPATOS E MAQUILHAGEM. OS PREFERIDOS
Amália tinha um sentido de moda muito apurado, a maioria das suas peças eram feitas à mão ou compradas a seu pedido. "A Amália não gostava de entrar nas lojas. Possivelmente via na montra, gostava, e pedia para alguém ir comprar. Sentia-se desconfortável ao entrar em lojas grandes como a Prada", explica a investigadora da Casa-Museu.
1 / 6
No seu guarda roupa existem camisas com padrões exuberantes, coloridos e floridos. "Havia muita gente que achava que Amália era tristonha, mas ela também tinha um lado muito divertido e passava-o para a roupa", recorda a investigadora. A roupa exposta na Casa-Museu Amália Rodrigues é uma amostra, tal como a maquilhagem, as carteiras e outros acessórios.
Os leques, os lenços, as écharpes e também os óculos de sol escuros eram os acessórios de eleição da fadista. Na maquilhagem, a preferência recaía sobre marcas como a Christian Dior ou a Yves Saint Laurent.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.