Natural de Torre de Moncorvo, Leonel Brito foi produtor e realizador de dezenas de filmes e séries de televisão, tendo sido sócio fundador da cooperativa Cinequanon.
O cineasta Leonel Brito, realizador de obras como "Colónia e Vilões" e "Gente do Norte" e sócio fundador da Cinequanon, morreu esta terça-feira, aos 85 anos, no Hospital de Santa Luzia, em Elvas, disse à Lusa um familiar.
Natural de Torre de Moncorvo, no distrito de Bragança, Leonel Brito foi produtor e realizador de dezenas de filmes e séries de televisão, tendo sido sócio fundador da cooperativa Cinequanon e trabalhado com nomes como António de Macedo, Luís Galvão Teles e Amílcar Lyra.
Como realizador, nota para o documentário "Gente do Norte" (1977), com música de José Mário Branco, de quem era amigo pessoal, segundo o familiar ouvido pela Lusa, e o filme documental "Colónia e Vilões" (1977), recuperado e editado em DVD pela Cinemateca em 2018.
"'Colónia e Vilões' é um documentário sobre o contrato de colónia na ilha da Madeira, forma de exploração de trabalhadores agrícolas com origens medievais, mas que subsistiu mesmo após o 25 de Abril de 1974. Para tal, Leonel Brito investiga a história da colonização da ilha e as forças económicas e sociais que a moldaram, recorrendo a várias fontes documentais, incluindo imagens cinematográficas de arquivo", pode ler-se numa nota da Cinemateca, aquando da edição em DVD.
Para a RTP, o também autor do 'blog' "Farrapos de Memória" assinou várias séries, sobretudo de gastronomia, tendo trabalhado também como conselheiro da Secretaria de Estado da Cultura, com David Mourão-Ferreira.
Ficou também notório pelo trabalho na Cinequanon, com António de Macedo, Luís Galvão Teles, José Fonseca e Costa e Luís Filipe Costa, como diretor de produção trabalhou em filmes como "A Confederação" (1977), "Liberdade para José Diogo" (1975) e "Torre Bela" (1975), entre outros.
Como realizador, foi premiado pela Federação Internacional de Cineclubes por "Gente do Norte" e assinou também "Félix Ribeiro: Dr Celulóide", em 1980, "Arthur Duarte", em 1979, "A Oeste Tudo de Novo", em 1982, e "Açores", em 1986.
Segundo o familiar, morava em Elvas, distrito de Portalegre, "desde o final dos anos 1980", depois de deixar Lisboa, "foi um combatente antifascista", antes do 25 de Abril de 1974, tendo-se apaixonado cedo pelo cinema em que trabalhou toda a vida.
A ligação a Torre de Moncorvo, segundo a família, manteve-se quer em iniciativas para revitalizar a biblioteca municipal quer através do 'blog', que foi mantendo até 2023, ano da última publicação.
Nascido a 23 de maio de 1941, formou-se como engenheiro técnico agrário, viveu em Angola e na Madeira, foi aluno de cinema e fotografia na AR.CO, tendo sido também dirigente do ABC Cineclube.
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