Presidente da autarquia prevê prazo de "duas a três semanas" seja possível ultrapassar sucessivas falhas de abastecimento no município.
A Câmara de Almada vai proibir alguns gastos de água não essenciais para restabelecer reservas, anunciou esta terça-feira a presidente, esperando que no prazo de "duas a três semanas" seja possível ultrapassar sucessivas falhas de abastecimento no município.
"Vamos ter que ser ainda mais rigorosos e proibir mesmo qualquer rega, não é apenas a pública, a privada, para ver se no espaço de duas semanas, três, conseguimos recuperar alguma folga", afirmou Inês de Medeiros, em declarações à Lusa.
A autarca socialista falava após mais uma reunião com os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS), Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) para debaterem a situação no concelho.
A presidente da câmara disse ainda que já está "em marcha todo um sistema de distribuição de água por cisterna para as zonas mais críticas, para poder fornecer água às populações, naturalmente garantindo sempre o fornecimento de água aos equipamentos mais frágeis".
Isto acompanhado do lançamento de "uma grande campanha de fiscalização" a tudo o que seja "desvio indevido de água", que "também aumentou muito", acrescentou.
"Portanto, isto são medidas que foram agora vistas justamente todas em conjunto, que esta semana ainda vão ser, para além das medidas que já estávamos a tomar, reforçadas, e até também reforçarmos a forma de as pessoas entenderem qual é o objetivo a que coletivamente precisamos de chegar", salientou.
Nos últimos dias, moradores de várias localidades do concelho têm relatado sucessivas falhas de água, tendo sido lançada uma petição, que conta já com mais de quatro mil assinaturas, na qual são exigidas medidas urgentes para minimizar os impactos da falta de água.
Entretanto, foi ativado o plano de contingência dos SMAS de Almada e criado um gabinete de crise.
Segundo a presidente da autarquia do distrito de Setúbal, "durante o mês de julho disparou um aumento anormal do consumo" de água, explicado por "uma série de fatores", nomeadamente o aumento de pessoas, mas o município tem conseguido "adaptar a essa procura".
Para exemplificar, indicou que freguesias como Charneca da Caparica e Sobreda duplicaram "aquele que era o seu consumo habitual" nos primeiros seis meses do ano.
"Temos os nossos reservatórios em limites muitíssimo baixos e que podem inclusivamente pôr em risco a própria infraestrutura, o que significa que temos absolutamente de baixar o consumo", frisou Inês de Medeiros.
No entanto, notou que "a grande prioridade é a salvaguarda" de equipamentos sensíveis, como o Hospital Garcia de Orta, estruturas residenciais de pessoas idosas (ERPI), centros de hemodiálise e outros equipamentos sociais, "onde há população muito vulnerável".
"Estamos a consumir mais água do que aquela que conseguimos bombear, porque nós temos captação própria e, portanto, se consumimos mais água do que aquela que conseguimos bombear vamos acumulando naturalmente um 'deficit' de água", vincou.
A autarca explicou que, há mês e meio, foram proibidas regas de espaços públicos e "usos de água não essenciais", reforçada "a fiscalização das infraestruturas", conseguindo-se "reduzir muito as perdas por fugas", mas "o consumo não para de aumentar", pois "com estes períodos muito longos de calor extremo", é natural que "as pessoas gastam ainda mais água".
Inês de Medeiros aproveitou para agradecer à APA e à ERSAR a colaboração na agilização para novos furos, bem como aos autarcas do Barreiro e de Sesimbra a disponibilização imediata para fornecer água, e negou que a escassez se deva a zonas como Raposo e Penajóia, onde baixou o consumo porque se está "a conseguir controlar esses desvios".
"A Costa da Caparica sempre foi o ponto mais frágil nesta matéria, até porque depende naturalmente de furos muito mais longe e porque não há possibilidade de captar água ali", admitiu a autarca, sublinhando que a situação afeta naturalmente o turismo na zona.
Para não prejudicar todo o mês de agosto, é preciso "fazer um grande esforço" em julho, com o fecho de "alguns equipamentos não essenciais", defendeu.
Por isso, Inês de Medeiros deixou um "pedido de desculpas coletivo" da câmara e dos SMAS aos munícipes pela situação limite que estão a enfrentar, esperando que em "uma ou duas semanas" a situação possa estabilizar e que, à medida que se for recuperando "essa margem de segurança, naturalmente os constrangimentos vão diminuindo".
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