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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Clara Ferreira Alves deixa Casa Pessoa

Clara Ferreira Alves abandonou ontem o cargo de directora da Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, após quatro anos a liderar o espaço cultural criado em homenagem ao poeta.

07 de janeiro de 2006 às 00:00

“Não tenho razões de ordem política nem qualquer desacordo com a vereação. Foi uma decisão pessoal. Estou exausta e o ano que passou foi duríssimo”, explicou ao CM.

De acordo com a jornalista/escritora, as dificuldades encontradas ao longo de 2005 prenderam-se, sobretudo, com “a falta de dinheiro para as actividades da Casa e também de diálogo com a antiga vereadora da Cultura (da Câmara Municipal). “No último ano, a Casa Fernando Pessoa não fez quase nada e isso, de certa forma, desmobilizou-me”, explicou.

A jornalista acredita ainda que esta foi a melhor altura para deixar o cargo porque concluiu “um ciclo”. “Não saí antes porque as coisas devem ter um fim. Cheguei ao fim de um ciclo de quatro anos. Vou apenas assegurar a transição das pastas com a pessoa que for nomeada para me substituir”, disse.

Depois disso, Clara Ferreira Alves vai dedicar-se à escrita. “Vou finalmente descansar e terminar um romance que está há anos à espera de final”, confessou.

A decisão foi comunicada numa reunião com o vereador da Cultura, José Amaral Lopes, e, de acordo com um assessor da Câmara Municipal, “surpreendeu” a autarquia.

“MUDANÇA DE ORIENTAÇÃO”

Entretanto, o Ministério da Cultura (MC) anunciou que o director do Teatro Nacional D. Maria II, António Lagarto, vai deixar a instituição e será substituído por Carlos Fragateiro, nascido no Porto, actual responsável do Teatro da Trindade e professor na Universidade de Aveiro.

“A decisão prende-se com a mudança de orientação política, pois o Governo entende que o D. Maria II precisa de se renovar e apresentar opções programáticas nas quais a tutela se reveja”, revelou ao CM uma fonte do MC. A substituição será discutida e, posteriormente, formalizada na Assembleia Geral do D. Maria II, que deverá realizar-se já na próxima semana, e após a qual deverão ser anunciadas eventuais alterações do modelo de gestão do teatro, desde há dois anos uma sociedade anónima de capitais públicos.

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