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Coimbra ganha nova biblioteca próxima ao Mondego com espólio de Carlos Fiolhais

De acordo com o professor, este "é um espaço onde cidadãos de todas as idades, de todas as origens, todas as condições sociais, todas as culturas", têm "a porta aberta".

21 de janeiro de 2026 às 21:59

Uma nova biblioteca, com cerca de cinco mil volumes doados pelo físico e professor catedrático Carlos Fiolhais, foi esta quarta-feira inaugurada em Coimbra, com o intuito de ser um espaço moderno, de democratização do conhecimento e ponto de encontro.

A Biblioteca Carlos Fiolhais, instalada na Antiga Estação Elevatória do Parque Manuel Braga, próxima ao rio Mondego, foi esta quarta-feira inaugurada, após ter sido anunciada em 2024, pelo executivo na altura liderado por José Manuel Silva, da coligação Juntos Somos Coimbra (PSD/CDS-PP/IL/NC/PPM/V/MPT).

A Antiga Estação "passou a ser uma moderna biblioteca", com multimédia, 'internet', onde se fazem 'podcasts', disse esta quarta-feira Carlos Fiolhais, na inauguração do local.

De acordo com o professor, este "é um espaço onde cidadãos de todas as idades, de todas as origens, todas as condições sociais, todas as culturas", têm "a porta aberta".

"Os livros estão a vossa disposição, são para levar, para gozarem no Parque, à beira do rio, são para gozarem na Baixa e em qualquer sítio", defendeu.

À margem da cerimónia de inauguração, o ensaista adiantou aos jornalistas a expectativa de que a biblioteca seja um ponto de encontro e "um espaço de cultura da cidade de Coimbra, com livros, mas com outros meios audiovisuais", onde "se pode fazer teatro ou espetáculos musicais".

Atualmente, são cerca de cinco mil volumes disponíveis aos visitantes, de um universo de 40 mil, que serão gradualmente disponibilizados.

"São livros dos mais variados géneros, mas aqui privilegiamos, além dos livros da minha própria autoria, assuntos que têm a ver com Coimbra e a sua região; de água e clima, porque este [espaço] é um antigo equipamento de extração de água do Mondego; e livros sobre livros", explicou o ensaísta.

Segundo Carlos Fiolhais, o equipamento cultural é um prolongamento, um polo, da Biblioteca Municipal de Coimbra, "mas com o benefício de estar no meio de um parque lindíssimo", cuja expectativa é ter, também, um serviço de cafetaria disponível futuramente.

No final de abril de 2024, a autarquia conimbricense aprovou a doação de mais de 40 mil itens, entre livros, revistas, CD, DV e outros documentos do físico e professor catedrático da Universidade de Coimbra Carlos Fiolhais à autarquia, tendo como destino a criação de uma biblioteca com o nome do também ensaísta, num espaço da Águas de Coimbra.

Para tal, a Antiga Estação Elevatória do Parque, espaço da Águas de Coimbra, passou por uma empreitada de adaptação, num investimento que ronda os 100 mil euros.

Presente na inauguração, a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, destacou o ato do professor de doar os materiais que compõem o acervo da biblioteca, ressaltando "a ideia de que o conhecimento não é um privilégio", mas sim "um bem comum", adiantando que esta é uma casa "de todos".

A presidente agradeceu ao professor pela doação do material, composto por "uma vida inteira de leitura, trabalho, reflexão, curiosidade e desassossego".

A autarca, eleita pela coligação Avançar Coimbra (PS/Livre/PAN) nas autárquicas de 2025, deixou ainda um reconhecimento ao anterior executivo pelo projeto que, como fez questão de recordar, "vem de trás", e garantiu que "continuará a acarinhar" a iniciativa.

"Este edifício foi feito para servir: em tempos elevava água, hoje eleva conhecimento e cultura", apontou.

Já o presidente do conselho de administração da Águas de Coimbra, Alfeu Sá Marques, afirmou que a biblioteca vai permitir que a Estação Elevatória seja um espaço de ciência, cultura, cidadania e civismo.

O equipamento já estava a acolher iniciativas culturais e, para o primeiro trimestre de 2026, estão previstas rodas de conversa, uma apresentação de livro e a inauguração da exposição "Poetas no Parque: Antero de Quental, Camilo Pessanha, Florbela Espanca, Miguel Torga e Fernando Assis Pacheco", com curadoria de Katia Andrade e Carlos Fiolhais.

O acesso e a utilização do espaço são gratuitos.

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