"Manifesto 100 anos de José Afonso" é assinado por mais de uma centena de personalidades portuguesas, da música, cinema, teatro, jornalismo, investigação e sociedade civil.
A apresentação de um manifesto abre esta quarta-feira simbolicamente a celebração do centenário do nascimento do músico José Afonso, marcado para 2029, antevendo-se uma comemoração com "um cunho popular forte", revelou a Associação José Afonso (AJA).
"Queremos que as comemorações sejam com um cunho popular forte, com capacidade de suscitar a iniciativa das diferentes escalas do mundo associativo, independentemente de podermos fazer articulações a nível institucional. (...) É o caráter popular de que José Afonso tanto gostava, de se movimentar nesses meios populares", explicou à agência Lusa o historiador João Madeira, da AJA.
O "Manifesto 100 anos de José Afonso", a apresentar esta quarta-feira, em Lisboa, é assinado por mais de uma centena de personalidades portuguesas, da música, cinema, teatro, jornalismo, investigação e sociedade civil e continua aberto para mais subscrições.
Luís Cília, Garota Não, Sérgio Godinho, Capicua, Luca Argel, Manuela Azevedo -- todos da área da música -- assim como os jornalistas Adelino Gomes e Joaquim Furtado, os capitães de abril Vasco Lourenço e Jorge Aires, a investigadora Irene Flunser Pimentel e o musicólogo Rui Vieira Nery estão entre os primeiros signatários.
No manifesto pode ler-se que existe vontade não só de celebrar "a criatividade e o impacto duradouro" da obra de José Afonso, como também "o exemplo cívico, feito de coerência, modéstia e persistência, e a sua busca de uma sociedade mais livre, mais justa e mais solidária".
"É um momento simbólico, uma primeira iniciativa no âmbito das comemorações e o manifesto é uma declaração de intenções, do que pode ser feito", explicou João Madeira.
No âmbito da celebração do centenário, a AJA quer iniciar um novo processo de classificação da obra fonográfica de José Afonso, uma vez que o anterior foi arquivado em 2025 pela Museus e Monumentos de Portugal, por falta de "acesso físico aos bens a classificar".
"Não recebemos uma resposta à contestação. O que nos move é enfatizar a obra do Zeca Afonso", sublinhou João Madeira.
Entre outras iniciativas a desenvolver, depois de estabelecidas parcerias, estão concertos, exposições, tertúlias, a publicação ou reedição de projetos editoriais e recolha e preservação de documentação e testemunhos relacionados com José Afonso.
"A obra de José Afonso constitui um património cultural fundamental, parte viva do nosso imaginário coletivo, pertença popular, cuja valorização e reconhecimento pelos poderes públicos consideramos essenciais", afirma a associação.
"Cantor, poeta e cidadão profundamente atento ao seu tempo", José Afonso nasceu em Aveiro, a 02 de agosto de 1929.
Começou a cantar enquanto estudante em Coimbra, tendo gravado os primeiros discos no início dos anos 1950 com fados de Coimbra, mas ao longo da carreira ficou conhecido, sobretudo, pelas canções de intervenção cívica, contra o regime ditatorial.
A obra completa de José Afonso começou a ser reeditada em 2021, numa iniciativa da família com a editora Mais 5, disponibilizando em novos formatos álbuns como "Cantigas do Maio" (1971), "Venham Mais Cinco" (1973) e "Coro dos Tribunais" (1974), assim como o concerto "Ao Vivo no Coliseu", de 1983.
Autor de "Grândola, Vila Morena", uma das canções escolhidas para senha do avanço das tropas, na Revolução de 25 de Abril de 1974, José Afonso morreu a 23 de fevereiro de 1987, em Setúbal, de esclerose lateral amiotrófica.
Quase 40 anos depois da morte de José Afonso, João Madeira sublinha a atualidade do pensamento e da obra musical do cantautor, que se colocou "no plano da intervenção cultural, intervenção cívica face aos grandes problemas do mundo contemporâneo".
"São problemas que têm a mesma raiz, de um certo posicionamento contra a prepotência, as desigualdades, em defesa da paz do mundo e que fazem todo o sentido nos dias de hoje. As expressões de natureza cultural hoje podem ser diferentes, mas também percebemos que há um legado que estabelece um fio de continuidade entre o que era a realidade em tempos antigos e a realidade que é hoje", disse.
O "Manifesto 100 anos de José Afonso" vai ser apresentado esta quarta-feira na Casa Capitão, em Lisboa, e contará com atuações de Ana Lua Caiano e Couple Coffee.
A Associação José Afonso, que se apresenta como uma "associação cultural e cívica, não confessional", foi formalizada em novembro de 1987, poucos meses depois da morte do cantautor, com o objetivo de preservar "a memória e o exemplo" de José Afonso.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.