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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

DocLisboa espera 30 mil espectadores

Com um orçamento de mais de 400 mil euros, um programa constituído por 150 filmes e tendo como meta a atingir os 30 mil espectadores, arranca amanhã, em vários espaços da capital, o 5.º DocLisboa – Festival de Cinema Documental de Lisboa, naquela que é a sua edição mais politizada de sempre.

17 de outubro de 2007 às 00:00

O filme que abre o certame, por exemplo, ‘Taxi to the Dark Side’ (‘Taxi para o Lado Negro’, em tradução literal), levanta o véu sobre as alegadas torturas praticadas pelos soldados norte-americanos sobre os prisioneiros afegãos e iraquianos, e sobre os presos em Guantanamo. Realizada por Alex Gibney, a película centra-se sobre a figura de um taxista afegão inocente que foi torturado até à morte em 2002.

O inevitável Michael Moore traz-nos, desta feita, ‘Sicko’, um documentário onde compara o sistema de saúde norte-americano com um filme de terror, enquanto a filha de Robert Kennedy, Rory Kennedy, reflecte sobre a legalização da tortura durante a administração Bush em ‘Ghosts of Abu Ghraib’ (‘Fantasmas de Abu Ghraib’).

George W. Bush será, de resto, alvo de muitas críticas durante o DocLisboa 2007. Spike Lee visa-o directamente no filme ‘When the Leeves Broke’, uma reflexão sobre o furacão Katrina e o tempo – excessivo – que o governo americano levou a agir para salvar as populações de Nova Orleães após o flagelo.

Mas o espírito contestatário não se esgota nos Estados Unidos. Da Rússia chega ‘Rebellion: The Litvinenko Case’ (‘Revolta: o caso Litvinenko’), de Andrei Nekrasov, que conta a história do espião russo ‘silenciado’ por Putin com veneno radioactivo, enquanto de Israel vem ‘Hot House’, um filme de Shimon Dotan sobre as prisões israelitas, que estão a abarrotar de prisioneiros palestinianos devido a um conflito que não tem fim à vista.

Segundo Sérgio Treffaut, mentor do DocLisboa, a politização do festival – que é sinal dos tempos – parece não ter chegado (ainda) à produção documental portuguesa, e de um festival que tem vindo a registar uma adesão crescente de público – no ano passado, registaram-se 21 mil espectadores – diz que espera, em 2007, 30 mil visitantes.

CINEMA POR TODA A CIDADE

Contando com o apoio financeiro e logístico do Instituto do Cinema, da Culturgest, da Câmara Municipal de Lisboa e de parceiros privados, o DocLisboa 2007 ocupará, até dia 28, vários espaços de Lisboa. Para além da Culturgest, a ‘casa-mãe’ da iniciativa, haverá projecções nos cinemas São Jorge e Londres, num total de 150 filmes repartidos pelas secções competitivas e retrospectivas. De particular interesse revestem-se as apresentações do filme de Michael Moore, que faz a sua antestreia no DocLisboa, e de ‘Rebellion: the Litvinenko Case’, que trará a Lisboa a viúva do ex-espião russo.

DOIS JÚRIS

Como é costume, são dois os júris do DocLisboa. O internacional integra João Mário Grilo, Vincent Lucassen, Ogawa Naoto, Kaarl Aho e Ilana Tsur. O júri nacional é constituído por Kathleen Gomes, Amir Labaki e Xosé Francisco R. Lombardia.

FILMES ESTRANGEIROS

Na competição internacional, competem 27 filmes, oriundos de países tão díspares como o Egipto, Alemanha ou China, Estados Unidos, França e Irão.

PRODUTO NACIONAL

Edgar Pêra, com ‘Arquitectura de Peso’ ou Cláudia Clemente, com ‘ & etc’, são alguns dos 19 participantes nacionais no DocLisboa, que vê ainda obras de Jorge Murteira, João Vladimiro, Dânia Filipa F. Lucas, Miguel Marques ou Bruno Cabral.

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