A primeira vez que Andrew Lloyd Webber convidou Joel Schumacher para que este realizasse a passagem ao cinema do seu musical ‘O Fantasma da Ópera’ – em exibição em Portugal – foi em 1988. O veterano novaiorquino, hoje com 65 anos, ainda se mostra estupefacto com o desafio: “Até então, eu tinha dirigido quatro filmes e o mais recente, ‘Os Rapazes da Noite’, era sobre vampiros! Felizmente, eu tinha uma agenda ocupada, o Andrew decidiu adiar para poder rentabilizar o impacto do musical nos teatros, o projecto ficou adormecido…”
“Mas tornámo-nos amigos e, apesar de lhe ter recomendado alguns cineastas muito capazes para a tarefa, ele nunca avançou. No Natal de 2002, ele e a mulher voltaram ao ataque… Só tinha duas soluções, as mesmas que se deparam a quem sonha escalar o Everest – ou pensa que vai morrer ou que vai conseguir. Optei pela segunda”, explica.
Schumacher já fizera crescer, e muito, a sua filmografia, assinando, entre outros, ‘O Cliente’, dois dos filmes da saga de ‘Batman’, o polémico ‘8 Milímetros’ ou a comédia ‘Más Companhias’. Quanto à música, só se tinha aproximado com a realização de videoclips para os INXS, para Seal e para os Smashing Pumpkins.
Mas está satisfeito com o calendário que o destino lhe trouxe: “Foi bom esperarmos… Hoje, a tecnologia permite-nos efeitos visuais muito mais baratos e mexer nas vozes de maneira a corrigir pequenos problemas. Se quiser ser romântico, diria que estivemos à espera que a Emmy (Rossum, a protagonista) nascesse e crescesse. E, além disso, espero ser hoje melhor realizador do que era na altura…”.
O único acordo com Webber consistiu numa troca: “Eu filmaria o que quisesse e como quisesse, disponibilizando-se ele até para escrever música nova – como aconteceu. Além disso, podia escolher quem quisesse com uma condição: cada actor tinha realmente que cantar, sem dobragens. Fechámos negócio”, conta.
Algum do trabalho de 1988 foi recuperado, mas Schumacher reclama que a parte de leão foi cumprida neste segundo andamento: “O ‘Fantasma...’, que tem uma componente de terror e de mistério, deve muito aos filmes mudos, aos Frankensteins e Dráculas, até pela iconografia. E quem vai ver um filme destes quer cenários sumptuosos, iluminação que lhe recorde a Paris dos candeeiros a gás, um guarda-roupa inesquecível. Nesse aspecto, julgo que cumpri bem o meu papel: a minha tarefa mais difícil foi conseguir contratar uma equipa com pessoas todas mais talentosas do que eu…”.
Cita o exemplo de Alexandra Byrne, responsável pelo guarda-roupa: “Pedi-lhe que fizesse tudo em preto e branco, dourado e prateado, para uma determinada cena. E, com pesquisa e inspiração, é essa base que torna essa mesma cena memorável”.
Schumacher lembra influências de ‘Camille’ (de George Cukor) e de ‘Madame Bovary’ (de Vincent Minnelli). Mas acaba por reconhecer que a inspiração máxima veio de Visconti e de ‘O Leopardo’: “Se é para copiar, então copiemos dos génios. E hão-de notar que um dos vestidos de Emmy é muito parecido com aquele que Claudia Cardinale usa quando dança com Burt Lancaster…”.
Outra exigência de Schumacher prendia-se com a juventude do elenco, “essencial para dar verosimilhança à história”. Conclui: “Acho que conseguimos. O Gerald Butler, que tinha visto no ‘Drácula 2000’, é uma presença enorme na tela e superou-se para poder cantar todo o papel do Fantasma. O Patrick Wilson, um Raoul natural, tem experiência de 30 musicais na Broadway. A Emmy tinha a escola do canto lírico, da sua vivência na ópera. Depois, a Minnie Driver é uma enorme comediante a quem são dadas poucas oportunidades para nos fazer rir… Estou muito satisfeito com todos e com o filme, que me parece capaz de surpreender até quem não goste especialmente de musicais. Para mim, foi um desafio enorme – mas quem olhar para o que já fiz percebe que não gosto de trabalhar à sombra da bananeira…”.
Realizador, argumentista e produtor, Joel Schumacher nasceu em Nova Iorque a 29 de Agosto de 1939. Filho de mãe sueca, tirou um curso de ‘design’ e trabalhou como vitrinista antes de entrar para a indústria cinematográfica.
Tornou-se notado com os filmes ‘St. Elmo’s Fire’ (1985), com Demi Moore e Rob Lowe, e ‘Linha Mortal (1990), com Julia Roberts e Kiefer Sutherland a liderar o elenco. Assinou os videoclips de ‘Kiss From a Rose’ (Seal), ‘Devil Inside’ (INXS) e ‘The End Is The Beginning Is The End’ (Smashing Pumpkins) e consolidou-se como cineasta graças a filmes como ‘O Cliente’ (1994), ‘Batman Para Sempre’ (1995), ‘Tempo de Matar’ (1996), ‘Batman & Robin’ (1997), ‘8 Milímetros’ (1999) e o excelente ‘Cabina Telefónica’ (2002). Actualmente, encontra-se a trabalhar na pré-produção de ‘The Crowded Room’, sobre o homicída e violador Billy Milligan, com estreia prevista para 2006.
O LUSTRE
Desenhado e construído pelos joalheiros da Swarovski, custou quase 1,5 milhões de euros. A marca recuperou-o no final da rodagem mas, nas suas lojas em Londres, os cartazes anunciavam: “A Swarovski está presente no ‘Fantasma da Ópera’”.
AS ESTÁTUAS
Homenagem do cineasta ao preto e branco dos filmes mudos, mas também uma recordação de viagem. “Há quase 20 anos, Joel ficou muito impressionado com um anjo gigantesco que parecia pairar sobre um cemitério em Viena (Áustria)”, conta Minnie Driver.
O GUARDA-ROUPA
Baseou-se em pinturas de Degas e na pesquisa de Alexandra Byrne, que visitou inúmeros museus do traje e incumbiu a sua equipa de copiar texturas e padrões para aumentar o ‘glamour’ do filme. A provadora de serviço foi Minnie Driver pela “silhueta perfeita”.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.