page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Fundação Gulbenkian lamenta morte de Lourdes Castro

No ano passado parte da obra da artista foi apresentada na exposição "Tudo o que eu quero - Artistas portuguesas de 1900 a 2020".

08 de janeiro de 2022 às 19:02

A Fundação Calouste Gulbenkian lamentou este sábado profundamente a morte de Lourdes Castro, que considerou "uma das mais notáveis artistas portuguesas contemporâneas".

A artista plástica, de 91 anos, morreu este sábado no hospital do Funchal, onde estava internada. Foi uma das fundadoras do grupo artístico e da revista "KWY". Foi bolseira da Fundação Gulbenkian, onde as suas obras foram motivo de várias exposições.

Em comunicado, o Conselho de Administração da Fundação lamenta a morte da artista e a presidente da instituição, Isabel Mota, refere o percurso da artista como "exemplo eloquente da força do trabalho e do universo singular que um grupo de artistas portuguesas projetou internacionalmente ao longo da segunda metade do século XX e que ficará como referência para futuras gerações".

"A Fundação Calouste Gulbenkian orgulha-se de ter acompanhado a sua carreira ao longo de seis décadas. Foi bolseira da Fundação em 1957 e 1958 e a sua obra, amplamente representada na Coleção do Centro de Arte Moderna, foi objeto de inúmeras exposições individuais e de grupo desde a sua criação", lê-se no comunicado.

"Além da Sombra" (com participação de Manuel Zimbro) foi a primeira grande retrospetiva do seu trabalho, no Centro de Arte Moderna em 1992, lembra a Gulbenkian, como lembra a exposição no mesmo local "Grande Herbário de Sombras", em 2002.

E recorda também a exposição de 2015 "Todos os livros", incidindo particularmente na dimensão menos visível dos livros da artista, ou mais recentemente, em 2019, a retrospetiva da obra de Lourdes Castro no sul de França, com o apoio da Gulbenkian em Paris.

E no ano passado parte da obra da artista foi apresentada na exposição "Tudo o que eu quero - Artistas portuguesas de 1900 a 2020".

"A obra de Lourdes Castro construiu-se em torno de uma relação íntima estabelecida com a Natureza, a artista soube transformar esse estado de atenção ao mundo natural numa ação artística, precoce para o seu tempo", diz a Fundação no comunicado.

Lourdes Castro nasceu a 9 de dezembro de 1930, no Funchal, Madeira, onde se fixou em permanência em 1983, depois de ter vivido em Lisboa, onde se formou em Pintura (1956), em Munique e Paris.

Na capital francesa, fundou a revista "KWY" (1958-1963), com René Bertholo, que congregou os artistas Jan Voss, Christo Javacheff, Costa Pinheiro, Gonçalo Duarte, José Escada e João Vieira.

Está representada em coleções nacionais e estrangeiras, públicas e privadas, destacando-se as do Victoria and Albert Museum, em Londres, do Museu de Arte Contemporânea de Belgrado, da Fundação de Serralves e da Fundação Gulbenkian, que fizeram retrospetivas da sua obra, e a Coleção de Arte Contemporânea do Estado.

Em 2020, o Ministério da Cultura atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Cultural.

Em junho passado, foi condecorada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com a Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Vidas

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8