A cantora brasileira Gal Costa apresenta-se amanhã no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, para um espectáculo de apresentação ao seu mais recente trabalho "GalBossaTropical", um disco minimalista que marca uma mudança substancial na carreira da cantora.
Por isso mesmo, o espectáculo de amanhã vai assentar, sobretudo, na sobriedade e na simplicidade, apenas com quatro músicos em palco: Luís Meira (violão), Marcus Suzano (percussão), Paulo César Barros (contrabaixo) e Armandinho (guitarra e bandolim), "um quarteto com o peso de uma orquestra", brinca Gal Costa em conversa com o Correio da Manhã.
O concerto inclui também o desfile de alguns dos maiores sucessos da carreira da cantora como "Aquarela do Brasil", "O Meu Nome é Gal", "India", "Tom de Iludir" ou "Sorte".
Mais do que um disco de Gal, a verdade é que “BossaTropical", álbum em que assenta esta digressão, é, assim, uma espécie de montra de cantautores da MPB (Música Popular Brasileira) ou não tivesse ele canções de Arnaldo Antunes, Erasmo Carlos, Chico César, Caetano Veloso, Rita Lee, Vinicius de Moraes e Tom Jobim.
"São canções de que eu gosto e com as quais me identifico. Fiz muitos discos assim ao longo da minha carreira porque sempre gostei muito de trabalhar de forma aleatória, pegar e ir gravando”, explica.
DISCO SIMPLES
Contas feitas, "GalBossaTropical" é um disco bem diversificado cujo reportório passeia por várias décadas, mas é, segundo a cantora, "um trabalho muito simples”.
“Geralmente, eu gravava com bandas grandes ou orquestras e desta vez quis fazer um disco com uma sonoridade pequena para que a minha voz florisse um pouco mais. É engraçado porque, ao longo da minha carreira, as pessoas reclamaram muitas vezes que eu gravava com muitos instrumentos", conta.
UM SUSTO
Confessando-se uma mulher de mais alegrias do que tristezas, mais positiva do que pessimista, Gal enfrentou recentemente, aos 57 anos, um problema de saúde que a levou, pela primeira vez em 35 anos de carreira, a cancelar espectáculos.
"Tive um entorse numa das alsas intestinais, uma coisa que pode acontecer a qualquer pessoa em qualquer idade. Felizmente, fui socorrida a tempo e tudo correu bem. Foi um susto, porque foi uma coisa que apareceu do nada. Mas agora estou em perfeito estado de saúde e num momento de alegria e felicidade".
Com um disco gravado bem à sua maneira, Gal incluiu aquele que é talvez um dos temas mais bonitos de sempre da música brasileira: "O Amor em Paz", de Vinicius de Moraes e Tom Jobim, que fala de amores perdidos e de sofrimento, o pretexto ideal para um final de conversa, porque “o amor é a coisa mais triste quando se desfaz”.
"Sim, claro que já tive desgostos de amor como toda a gente. Mas serviram para aprendizagem. O sofrimento é bom, enriquece a alma".
ESPECTÁCULOS ATÉ AGOSTO
Depois de ter actuado em Vilamoura (dia 27 de Junho) e Angra do Heroísmo (28) e de ter-se apresentado ao vivo no Auditório da Antena 1, terça-feira, a cantora brasileira ainda agora vai no início daquela que é a sua maior digressão portuguesa de sempre.
Depois do concerto de Lisboa, Gal Costa viaja até ao Porto para actuar sábado no Coliseu da cidade Invicta. A autora de “Domingo” tem ainda espectáculos marcados para o Casino de Montegordo (dia 11), Pavilhão de Exposições de Braga (12), Portimão (Festa da Sardinha, dia 10 de Agosto), Olhão (Festa do Marisco, dia 15 de Agosto) e Cascais (dia 17 de Agosto em local ainda a designar).
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