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Correio da Manhã

Cultura
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Henrique Viana morre aos 71 anos

Entre a classe teatral, a consternação é grande: morreu, ontem, o actor Henrique Viana, cujo corpo se encontra em câmara ardente na Basílica da Estrela, em Lisboa, e cujo funeral se realiza amanhã (10h00), no cemitério dos Olivais. Colegas e amigos unem vozes para lamentar a perda do artista, 71 anos, que faleceu no Hospital dos Capuchos, vítima de cancro.
5 de Julho de 2007 às 00:00
Henrique Viana
Henrique Viana FOTO: José Barradas
“Óptimo actor”, “grande companheiro”, “homem de carácter” e “amigo divertidíssimo”: eis alguns dos epítetos com que Henrique Viana é recordado por gente como Raul Solnado, Alina Vaz, Alberto Villar ou Luís Alberto, que com ele trabalharam e que recordam um homem reservado e pouco dado a queixas. Luís Alberto evoca mesmo um dos últimos trabalhos de Henrique Viana, a telenovela ‘Paixões Proibidas’, rodada no Brasil, onde a doença se manifestou, forçando-o a suspender as gravações. “Ele sentiu-se mal, mas a sua força psicológica levou-o a não dar importância, o que acabou por se revelar fatal...”, lembra.
Por seu lado, o Presidente da República, Cavaco Silva, apresentou “sentidas condolências” à família do actor, frisando o facto de Henrique Viana ter passado “pelos mais importantes palcos do País, sendo uma figura incontornável do teatro, do cinema e televisão de Portugal”.
Henrique Viana teve uma profícua carreira de 50 anos, em todos os veículos da representação: fez muito teatro (no D. Maria II, Variedades, ABC e Villaret), tendo também fundado o Teatro do Nosso Tempo e o Teatro Adoque, companhia que pretendia renovar a revista à portuguesa, depois do 25 de Abril. A última vez que pisou o palco foi no espectáculo ‘1755 – O Grande Terramoto’, em 2006, no Trindade. Na TV foi presença assídua a partir dos anos 80 e distinguiu-se em séries como ‘Sozinhos em Casa’, ‘Alves dos Reis’ ou ‘O Processo dos Távoras’. No cinema fez meia centena de filmes e o seu último trabalho foi ‘O Julgamento’, com estreia em Novembro. A morte do actor levou a equipa a adiar a apresentação do filme, marcada para ontem.
PERFIL
Henrique dos Santos Viana nasceu em Lisboa, a 29 de Junho de 1936. Frequentou a Escola Industrial. Iniciou-se no teatro na Sociedade Guilherme Cossoul, ainda sem a ambição de se tornar profissional. Estreou-se com 20 anos – na peça ‘Amanhã há Récita’, de Varela Silva, em 1956 – e três anos depois inscrevia-se no Conservatório, curso que nunca concluiu. É que entretanto Amélia Rey Colaço tinha-o chamado para fazer testes no Teatro Nacional. O início de uma carreira repleta de sucessos.
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