Ser abordado na rua porque se tem uma cara que aparece na televisão pode ser, para muitos, uma experiência exaltante. Mas ser reconhecido pela voz é, garantem os actores que fizeram a dobragem do filme ‘Wallace e Gromit: A Maldição do Coelhomem’, que estreia no nosso país na próxima quinta-feira, uma sensação indescritível.
Melhor ainda é ser-se o herói dos mais pequenos: filhos, sobrinhos e respectivos amigos “mandam-se ao ar” quando alguém próximo dá voz aos simpáticos bonecos do grande ecrã.
“Os meus sobrinhos fartam-se de se gabar”, diz Heitor Lourenço (que tão bem conhecemos da série ‘Santos da Casa’ e que faz dobragens há 15 anos). “‘O meu tio fez o ‘Shrek’!!’, dizem. E os outros miúdos olham para mim, com ar de admiração... É o máximo!”
Foi Cláudia Cadima quem escolheu o elenco de vozes para este filme e quem fez a direcção dos actores em mais esta diversão ‘made in Hollywood’. Ela confirma que a actividade é sempre divertida e pode ser altamente estimulante.
“Acho que não há actor que não goste disto”, confessa-nos. “É um grande desafio.”
“Só tenho é inveja dos actores originais”, apressa-se a acrescentar Paulo Oom, que faz dobragens há dez anos. “É que eles têm o grandessíssimo privilégio de ter bonecos feitos à sua imagem. Isso, sim, deve ser fantástico.”
PARA SEMPRE
Paulo Oom (que em ‘Wallace e Gromit’ dá voz ao Conde Bernardo de Almada e Amieiro), recorda que uma das personagens que mais o marcou foi o famoso coelho Bugs Bunny. “Ele tem uma voz tão marcante que, muitas vezes, dava por mim a sair do estúdio e a falar com aquela voz estrangulada...” (imita, para delícia dos colegas).
Bruno Ferreira, uma das estrelas do ‘Contra-Informação’ e que dá voz a Wallace, o protagonista, confirma: “Eu, como faço muitas vozes, às vezes tenho é dificuldade em encontrar a minha. Falam comigo na rua e eu respondo com a voz do ministro fulano de tal”.
No fim do trabalho, arrumam-se as tralhas, vai-se para casa... mas a ligação com os bonecos, essa, permanece. A ida ao cinema para ver o resultado do seu trabalho é inevitável, mas há quem não se coíba de comprar o respectivo DVD.
Pedro Pinheiro, de ‘Os Malucos do Riso’, a dobrar desde 1967, explica que fica sempre uma réstia de afectividade entre o actor e a personagem: “Eu já fiz tanto boneco... Ah, mas que me ficou alguma coisa de todos eles, lá isso ficou!”.
"UMA QUESTÃO DE INSTINTO"
Cláudia Cadima, que o grande público reconhece pela sua participação em várias séries de ficção da televisão portuguesa, está há 25 anos na área da dobragem e conta-nos que seleccionar os actores para dar vozes às personagens transformou-se, com o tempo, numa tarefa fácil. “É uma questão de pele, de instinto”, afirma.
“Estou no meio há muito tempo, conheço muito bem os actores e sei aquilo de que são capazes. Portanto, não me é difícil desafiá-los para dar voz a esta ou aquela personagem.” Embora não tenha emprestado a sua própria voz ao filme ‘Wallace e Gromit’, Cláudia diz que é frequentemente abordada na rua por causa do seu trabalho.
“As pessoas vêm até mim e dizem: ‘Você é a voz da minha infância!’. E isso, como se pode imaginar, é um grande motivo de orgulho para qualquer actor.”
UMA VOZ PARA CADA BONECO
Normalmente, se tudo correr bem e houver, conforme se prevê, uma segunda longa-metragem de ‘Wallace e Gromit’, os actores com quem falámos voltarão a dar voz às mesmas personagens. É, pelo menos, o procedimento habitual neste tipo de trabalho. O que quer dizer que a ‘equipa maravilha’ que Cláudia Cadima reuniu voltará a trabalhar junta. Isto para que haja paz na Terra.
Os miúdos, diz Heitor Lourenço, não perdoam que troquem as vozes aos seus bonecos preferidos. “Ah, ficam furiosos”, conta-nos. “Reconhecem logo a voz e mandam vir: este não é o verdadeiro Wallace!!” Paulo Oom confirma: “É mesmo assim. As brincadeiras dos miúdos são para levar cem por cento a sério!”
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